Início:
Se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]
meio: [...] se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]
[...] se numa outra ocasição, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos. fim.
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"tu, manejando o sintoma de minha caligrafia
e encontrando na areia do caderno
as letras extraviadas que buscavam tua boca."
Pablo Neruda
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Segredos Escritos
O sonho de quem escreve num caderninho secreto é ser flagrado. O caderninho já nasceu predestinado.
diálogo L2J62JJ
O que ele falou não importa.
Não que nao importe... é uma referência. Mas não é o que importa pra mim. A partir do momento que eu ouço, o que ele fala dele vira uma construção minha sobre ele. Eu me aproprio.
Ele não é dono do que fala.
Não pode controlar os significados. O que ele queria me fazer pensar sobre ele, eu já esqueci. Esqueci enquanto dava significado ao que eu ouvia.
Já era.
Falou tá falado.
Não é mais seu.
Perdeu.
Não que nao importe... é uma referência. Mas não é o que importa pra mim. A partir do momento que eu ouço, o que ele fala dele vira uma construção minha sobre ele. Eu me aproprio.
Ele não é dono do que fala.
Não pode controlar os significados. O que ele queria me fazer pensar sobre ele, eu já esqueci. Esqueci enquanto dava significado ao que eu ouvia.
Já era.
Falou tá falado.
Não é mais seu.
Perdeu.
mínimo
do batente da porta
ainda sentia seu cheiro
e queria me deixar levar
se tudo não ficasse tão rápido
que desse tanto medo
ainda sentia seu cheiro
e queria me deixar levar
se tudo não ficasse tão rápido
que desse tanto medo
Pérolas do pensamento masculino...
Não espere que as pérolas do pensamento masculino venham da nossa música e literatura, como Tom, Vinícius e Chico. Essa linda prosopopéia, tão trabalhada antes de cumprir seu destino: falar de caso pensado. Pensamentos em edições de luxo que não refletem os raros e fugazes ensinamentos do agora imediato.
Por isso, as pérolas do pensamento masculino que se seguem estão sendo extraídas do lugar comum, na mais pura transmissão oral. Daqueles momentos em que os homens não pensam muito pra falar e que refletem alguma verdade, mesmo que fora do contexto em que foram ditas...
"Eu já brinquei muito de Atari. Hoje eu brinco de buceta."
"Eu estou na descendente da curva de Gauss. Estou numa fase da vida em que: deu tesão, come."
"Já que tá lá, deixa que lá teja."
"Enche o cú de maconha e fica aí... falando merda."
Por isso, as pérolas do pensamento masculino que se seguem estão sendo extraídas do lugar comum, na mais pura transmissão oral. Daqueles momentos em que os homens não pensam muito pra falar e que refletem alguma verdade, mesmo que fora do contexto em que foram ditas...
"Eu já brinquei muito de Atari. Hoje eu brinco de buceta."
"Eu estou na descendente da curva de Gauss. Estou numa fase da vida em que: deu tesão, come."
"Já que tá lá, deixa que lá teja."
"Enche o cú de maconha e fica aí... falando merda."
sábado, 18 de novembro de 2006
terça-feira, 14 de novembro de 2006
Olhar pra dentro
Não é um dia. Céu baixo, bloco de tempo suspenso.
A chuva cai pra assentar o metal que a gente respira nos dias ensolarados e de pôr-do-sol rosa.
A chuva cai pra assentar o metal que a gente respira nos dias ensolarados e de pôr-do-sol rosa.
Lá fora a paisagem só alcança até o primeiro plano e o frio encolhe as iniciativas de sair de si.
Não há nada além em qualquer direção para ser distração...
sábado, 11 de novembro de 2006
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Finados
Então, chegou o feriado. O último possível de viajar antes do fim do ano. Me sentia na obrigação mas, faltava inspiração. A TPM estava indo embora... E a lua ficava cheia na sexta. Perspectiva nada boa.
Mais uma rua sem árvores. Dessas que estão povoando os bairros residenciais com novos empreendimentos imobiliários. "Venha morar bem numa rua sem árvores. Veja como é linda a nossa fachada."
Até tentei os amigos. Eles dormiam. Isso enquanto eu dava uma volta em Jardim Camburi. Foi quando o vento me chamou os olhos pra frente.
Um montão de dinheiro corria pela rua em minha direção. Amarelas e vermelinhas. Pulando e correndo. O dinheiro até parecia vivo. A surpresa foi tão grande preferi deixá-las passar a me abaixar para segurá-las. Não eram minhas. Somente na segunda onda da série, notei uma mulher.
Tinha uma sacola de onde ainda fugiam alguns maços que assim que batiam no chão, ganhavam fôlego com o vento. Comecei então a pisar no dinheiro e com a mão amassei um cheque, ele me chamou a atenção por não ter cor. Imaginei que talvez fosse o mais alto valor daquela sacola, se eu catasse esse, talvez o prejuízo fosse menor.
"Me ajuda!" Coitada, ficou tão apatetada que não correu atrás do seu. Só gritava: "Me ajuda!" Tá. Fui catando o que pude. Por sorte um rapaz que vinha, catou o que me passou. Eu e ele ficamos com as duas mãos cheias de dinheiro amassado. Olhei praquilo tudo e achei engraçado. Uma criança com um monte de papél picado. Antes do impulso de jogar tudo pracima, ela estendeu a sua sacolinha e nós colocamos tudo ali.
"Que susto. O dinheiro do hospital do meu filho. Eu estava indo agora pagar. Ai, brigada gente. Eu não sei o que seria de mim se não fossem vocês. Meu marido ia me matar. Que loucura. Ainda bem que não tinha ninguém nas varandas. Meus vizinhos todos iam ver. Que vergonha."
Até compreendi sua vergonha, de alguma forma. E do meu ponto de vista, era um presságio. Quinta-feira, finados, sem perspectivas, uma onda de dinheiro vem em sua direção...
Mais uma rua sem árvores. Dessas que estão povoando os bairros residenciais com novos empreendimentos imobiliários. "Venha morar bem numa rua sem árvores. Veja como é linda a nossa fachada."
Até tentei os amigos. Eles dormiam. Isso enquanto eu dava uma volta em Jardim Camburi. Foi quando o vento me chamou os olhos pra frente.
Um montão de dinheiro corria pela rua em minha direção. Amarelas e vermelinhas. Pulando e correndo. O dinheiro até parecia vivo. A surpresa foi tão grande preferi deixá-las passar a me abaixar para segurá-las. Não eram minhas. Somente na segunda onda da série, notei uma mulher.
Tinha uma sacola de onde ainda fugiam alguns maços que assim que batiam no chão, ganhavam fôlego com o vento. Comecei então a pisar no dinheiro e com a mão amassei um cheque, ele me chamou a atenção por não ter cor. Imaginei que talvez fosse o mais alto valor daquela sacola, se eu catasse esse, talvez o prejuízo fosse menor.
"Me ajuda!" Coitada, ficou tão apatetada que não correu atrás do seu. Só gritava: "Me ajuda!" Tá. Fui catando o que pude. Por sorte um rapaz que vinha, catou o que me passou. Eu e ele ficamos com as duas mãos cheias de dinheiro amassado. Olhei praquilo tudo e achei engraçado. Uma criança com um monte de papél picado. Antes do impulso de jogar tudo pracima, ela estendeu a sua sacolinha e nós colocamos tudo ali.
"Que susto. O dinheiro do hospital do meu filho. Eu estava indo agora pagar. Ai, brigada gente. Eu não sei o que seria de mim se não fossem vocês. Meu marido ia me matar. Que loucura. Ainda bem que não tinha ninguém nas varandas. Meus vizinhos todos iam ver. Que vergonha."
Até compreendi sua vergonha, de alguma forma. E do meu ponto de vista, era um presságio. Quinta-feira, finados, sem perspectivas, uma onda de dinheiro vem em sua direção...
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
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