terça-feira, 24 de outubro de 2006

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quanto mais aprendo a menos pensar nisso, melhor

terça-feira, 17 de outubro de 2006

> Filme > Fim de Caso. Dir: Neil Jordan

Detetive - "O ciúmes só pode existir onde há desejo."
Maurice - "Então ele também sentiu o cheiro do amor..."
Sarah - "Você acha que o amor acaba, só porque não nos vemos?"
Maurice - "Ser é ser notado."
Sarah - "Eu desafiei o destino e ele aceitou. Eu estou no deserto agora."
Graham Greene - Fim de Caso

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Parque da Pedra da Cebola, Feira do Verde

Ontem, eucaliptos andantes, apitantes, gritantes, cantaram "Marcha Soldado" para a banda da Polícia Militar do Espírito Santo, que virou de costas. Foi lindo e bastante documentado.

CONFIRAM: http://anarkopagina.org/palca/

vultos & fantasmas

Vinha caminhando por aí olhando para dentro normalmente, como geralmente acontece familiar e entranhado por toda vida vivida.
Deu-se conta o tempo súbito ao sentir forte a perda de um momento tão comum.
Uma velha vinha da direção contrária e passou.

Desencadeou a explosão de uma bolha na boca do meu estômago, como algo muito pequeno que desde sempre esteve crescendo, mas só foi possível alcançar o tamanho suficiente para ser sentido agora, já tarde demais, agora quando impossível parar.

Calor, talvez de sangue que se explode e expande, ultrapassando eu mesma e para fora, deixando para trás olhos marejados em público, assustados em dúvida se devo permitir que continue a expandir pelo tempo que a emoção me tome, porque já algo fora de mim, ou estarei correndo o risco dela crescer, crescer, crescer... necessária e insuportável, porque não sou capaz de me desgarrar dela.

Por ser tanta coisa, amor, vergonha, medo, simples emoção em vão, foi bom e ruim. Quando dei por mim, apenas percebi no meu campo de visão a presença nublada desse vulto fantasmagórico de olhos velhos, acostumados a se perceber invisíveis a outros olhos como os de um fantasma que há muito vaga procurando e jamais encontra. Estampa, estanque, espera da iniciativa no outro.

Para me redimir fiquei tomada pela emoção e ela foi embora flutuando. Que vergonha. Como é que eu fui chegar nesse ponto. Bastava a gentileza de desejá-la boa noite. Porque era realmente noite. E era realmente boa. Por trás da minha timidez, meu escudo, me vi uma indelicada, mal educada, arrogante, vaidosa, egoísta, ciumenta, avara. Eu fiz ela se sentir só como um fantasma, só, por causa de uma coisa tão pouca, só, porque guardada.

Para o agora devo andar alertada. Atenta aos meus deslizes irresponsáveis no tempo. Ele é irrecuperável.
"Comecem seu dia com uma prece, fazendo-a de modo tão profundo que ela os acompanhe até a noite. Encerrem o dia com uma oração, para que tenham uma noite serena, livre de sonhos e pesadelos. Não se preocupem com a forma. Deixem que tome qualquer uma, desde que os coloquem em comunhão com o divino. Porém, seja a forma qual for, não permitam que o espírito vague enquanto as palavras da prece vão sendo pronunciadas." Mahatma Gandi

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Tanquinho, noite sem lua.

A ligação caiu. Por isso eu flagrei a velinha que ouvia nossa conversa se recolher da janela para a penumbra do seu quarto. Nenhuma casa tem muro. Só os ricos tem muros. Fora essas, são casinhas de meia água coloridas, portas e janelas dão direto na rua. Uma casa começa quando a outra termina e só dá pra saber disso porque muda de cor. Azul, amarela, vermelha, verde, por aí vai... São caiadas e o quintalzinho fica nos fundos.
Aqui as calçadas são altas, tipo um metro acima do nível da rua de um lado, do outro é mais baixo. A cidade fica numa região de morros suaves. Nada muito alto. Só o suficiente pra ter vielinhas sinuosas, sobes e desces. Algumas ruas são calçadas, com paralelepípedos ou com umas pedras da região que parecem aquelas usadas em piscinas.
Do outro lado da rua tem uma portinha iluminada. É uma casinha cor de rosa. A padaria. A rua é bem iluminada ladeada por pés de Oiti entre os postes. À noite, as pessoas ficam sentadas nas calçadas. Tem vários bolinhos de pessoas ao longo da rua. Um bando de meninos de um lado, um bando de meninas do outro. Os homens se reunem no final da rua, num banco. Lá ouvem-se as melhores mentiras do dia. A noite é fria e os velhos se agasalham mais que os jovens.
Passeando pela rua e olhando pra dentro das casas, vejo que todo mundo acompanha a novela. A casa que mais me chamou a atenção foi o interior de uma barbearia. Com uma daquelas cadeiras de barbeiro antigas, de couro, de costas para a rua. O espelho quadrado, as paredes verdes, me chamaram a atenção nessa noite.
Essa rua específicamente, começa e termina em praça. De um lado a praça da feira, onde se concentram as casas comerciais. São poucas lojas. Mas tem a casa do Jorge que faz queijo. Tem a casa do Nau, dono da venda que tem tudo. Por aí vai... A outra praça na verdade é uma área descampada com casas em volta. Um quadrado. Nas noites muito frias as pessoas fazem pequenas fogueiras em frente às casas e ficam batendo papo.
Saindo dessa rua, já pega o caminho da roça. São três quilômetros até a Minação, onde fica a nossa casa. No caminho, muitos sapos olham assustados o carro. Não sei porque, eles são enormes. Imagine um homem bem gordo levantando de uma cadeira de balanço. Os sapos cururus fazem o mesmo ruido pra pular. Tem muitas corujinhas também.
Hoje não tem lua, tem muitas estrelas. Olhar para elas é como olhar para o mar.

óbvio

ontem encontrei uma carta de amor que eu escrevi.
ridícula.

esse menino

me disseram que era um vagabundo.
todos os dias ele saiu lá da vila e veio aqui.
por todos ele fez, todo feliz.
lida com a terra e com os bichos.
pra mim ele está bem encaminhado.

Minação, inverno de 2004

sinto uma mudança se aproximando.
confesso que estou com medo.
um medo que acalma.
da certeza que acaba.

Impressões do momento

Na cidade, o tempo não para.
Na roça, o tempo não passa.

diálogo 64HY6H

- O amor é uma coisa boa?
- O amor é uma coisa que transforma.

terreiro do vovô



Minhas preciosas lembranças de coisas que meu pai construiu - viajens, festas, pessoas, riscos, perdas - o que vão ser delas? O que vai ser dos meus lugares, lugares dele. Eu quero que meus filhos curtam essas lembranças. Quero eles correndo nesse terreiro, furando o pé nesses espinhos, vendo essas nuvens, brincando com o vovô.

esse menino...


Desci pro açude com uma molecada faladora dos diabos.
Eles a fim de pescar, eu queria um pouco de sossego.
Impossível. Molecada faladora demanda muita atenção.
"Ô Alice, ô Alice, ô Alice."

É preciso ser mais condescedente com eles.
São só meninos. Fazem besteira, se metem em encrenca, são desengonçados.
Impulsivos. Isso não é tão ruim.
Tomara que eles fiquem assim pra sempre.

Literatura Marginal

Literatura Marginal
Domingo, Julho 23, 2006

Fonte: http://inimigodoinimigo.blogspot.com/2006/07/literatura-marginal.html

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Numa Pastelaria

Cabia a mim tomar as iniciativas, afinal. Mas, podendo dizer qualquer coisa, eu fiquei sem saber o que dizer... Nos olhamos e sorrimos meio sem graça. Bastou esse olhar um pouco envergonhado de ambas as partes e o momento ficou para a próxima. Baixamos nossas cabeças, eu sobre o caderno, ele sobre o pastél. A chuva cessou, o pastél acabou... Ficamos sem álibi, o tempo voltou a urgir. Ele pagou o lanche e ainda trocamos um tchau antes dele ir embora sei lá pra onde. Fiquei para trás, esperando, andando de uma lado para o outro da pastelaria apressada em ir embora. O telefone tocou. Minha carona estava no próximo quarteirão. Me lancei para a calçada num repente, a chuva ainda estava fraca. No caminho pensei que existem coisas boas que são pra não durar.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

A revolta dos fluidos

merda
vômito
suor
sangue
catarro
tudo líquido
sendo expulso