quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Finados

Então, chegou o feriado. O último possível de viajar antes do fim do ano. Me sentia na obrigação mas, faltava inspiração. A TPM estava indo embora... E a lua ficava cheia na sexta. Perspectiva nada boa.
Mais uma rua sem árvores. Dessas que estão povoando os bairros residenciais com novos empreendimentos imobiliários. "Venha morar bem numa rua sem árvores. Veja como é linda a nossa fachada."
Até tentei os amigos. Eles dormiam. Isso enquanto eu dava uma volta em Jardim Camburi. Foi quando o vento me chamou os olhos pra frente.

Um montão de dinheiro corria pela rua em minha direção. Amarelas e vermelinhas. Pulando e correndo. O dinheiro até parecia vivo. A surpresa foi tão grande preferi deixá-las passar a me abaixar para segurá-las. Não eram minhas. Somente na segunda onda da série, notei uma mulher.
Tinha uma sacola de onde ainda fugiam alguns maços que assim que batiam no chão, ganhavam fôlego com o vento. Comecei então a pisar no dinheiro e com a mão amassei um cheque, ele me chamou a atenção por não ter cor. Imaginei que talvez fosse o mais alto valor daquela sacola, se eu catasse esse, talvez o prejuízo fosse menor.
"Me ajuda!" Coitada, ficou tão apatetada que não correu atrás do seu. Só gritava: "Me ajuda!" Tá. Fui catando o que pude. Por sorte um rapaz que vinha, catou o que me passou. Eu e ele ficamos com as duas mãos cheias de dinheiro amassado. Olhei praquilo tudo e achei engraçado. Uma criança com um monte de papél picado. Antes do impulso de jogar tudo pracima, ela estendeu a sua sacolinha e nós colocamos tudo ali.
"Que susto. O dinheiro do hospital do meu filho. Eu estava indo agora pagar. Ai, brigada gente. Eu não sei o que seria de mim se não fossem vocês. Meu marido ia me matar. Que loucura. Ainda bem que não tinha ninguém nas varandas. Meus vizinhos todos iam ver. Que vergonha."

Até compreendi sua vergonha, de alguma forma. E do meu ponto de vista, era um presságio. Quinta-feira, finados, sem perspectivas, uma onda de dinheiro vem em sua direção...