domingo, 24 de dezembro de 2006

Quando eu pedi, ganhei um amor de verão.
Quando eu pedi, ganhei um amor de verdade.

Tive meus pedidos atendidos, por isso agradeço.

Agora não vou pedir mais nada.
Quem sabe o amor vem, de simples.
onde foi parar aquela espera ansiosa pelo fim do ano?
tô me sentindo ano passado.
tão diferente do ano anterior.
olhando só o presente, tudo é a mesma coisa sempre.
comparando-o ao passado é que temos a dimensão da mudança.
pensando no futuro pra saber onde ir.
chegar nunca.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Era uma vez um homem da bunda quadrada e da cabeça oca...

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Preencha o espaço vazio

Início:
Se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]

meio: [...] se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]

[...] se numa outra ocasição, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos. fim.

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"tu, manejando o sintoma de minha caligrafia
e encontrando na areia do caderno
as letras extraviadas que buscavam tua boca."

Pablo Neruda

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

vcs estão muito desconfiados da minha pessoa... eu compreendo... eu mesma não me dou certeza de nada... tava até agora há pouco decidida a trabalhar e agora estou em dúvida.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Segredos Escritos

O sonho de quem escreve num caderninho secreto é ser flagrado. O caderninho já nasceu predestinado.

diálogo L2J62JJ

O que ele falou não importa.

Não que nao importe... é uma referência. Mas não é o que importa pra mim. A partir do momento que eu ouço, o que ele fala dele vira uma construção minha sobre ele. Eu me aproprio.

Ele não é dono do que fala.

Não pode controlar os significados. O que ele queria me fazer pensar sobre ele, eu já esqueci. Esqueci enquanto dava significado ao que eu ouvia.

Já era.
Falou tá falado.
Não é mais seu.
Perdeu.

A grande questão

Por que é que eu não estou dando pra quem eu gostaria que estivesse me comendo?

pare de poupar

gaste tudo na hora que vier
"Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." Clarice Lispector

FONTE:
A Legião Estrangeira - Livro de Clarice Lispector

mínimo

do batente da porta
ainda sentia seu cheiro
e queria me deixar levar
se tudo não ficasse tão rápido
que desse tanto medo

Pérolas do pensamento masculino...

Não espere que as pérolas do pensamento masculino venham da nossa música e literatura, como Tom, Vinícius e Chico. Essa linda prosopopéia, tão trabalhada antes de cumprir seu destino: falar de caso pensado. Pensamentos em edições de luxo que não refletem os raros e fugazes ensinamentos do agora imediato.
Por isso, as pérolas do pensamento masculino que se seguem estão sendo extraídas do lugar comum, na mais pura transmissão oral. Daqueles momentos em que os homens não pensam muito pra falar e que refletem alguma verdade, mesmo que fora do contexto em que foram ditas...

"Eu já brinquei muito de Atari. Hoje eu brinco de buceta."

"Eu estou na descendente da curva de Gauss. Estou numa fase da vida em que: deu tesão, come."

"Já que tá lá, deixa que lá teja."

"Enche o cú de maconha e fica aí... falando merda."

sábado, 18 de novembro de 2006

acordada de olhos fechados
ouvindo a hora dos pássaros,
nuvens laranjas e róseas
começa o céu azul

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Olhar pra dentro

Não é um dia. Céu baixo, bloco de tempo suspenso.
A chuva cai pra assentar o metal que a gente respira nos dias ensolarados e de pôr-do-sol rosa.
Lá fora a paisagem só alcança até o primeiro plano e o frio encolhe as iniciativas de sair de si.
Não há nada além em qualquer direção para ser distração...

sábado, 11 de novembro de 2006

o mal-resolvido exercitado
texto reescrito
arestas aparadas

quando escrevo sinto
realizo tentativa de ser
buscar essência

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

sobre Beleza

Desenho de Angela Piccin

"A beleza faz convites que assustam..." - Rubem Alves
FONTE:
[http://www.taru.art.br/] Desenho de Angela Piccin
O Retorno e Terno. Livro de Crônicas de Rubem Alves

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Finados

Então, chegou o feriado. O último possível de viajar antes do fim do ano. Me sentia na obrigação mas, faltava inspiração. A TPM estava indo embora... E a lua ficava cheia na sexta. Perspectiva nada boa.
Mais uma rua sem árvores. Dessas que estão povoando os bairros residenciais com novos empreendimentos imobiliários. "Venha morar bem numa rua sem árvores. Veja como é linda a nossa fachada."
Até tentei os amigos. Eles dormiam. Isso enquanto eu dava uma volta em Jardim Camburi. Foi quando o vento me chamou os olhos pra frente.

Um montão de dinheiro corria pela rua em minha direção. Amarelas e vermelinhas. Pulando e correndo. O dinheiro até parecia vivo. A surpresa foi tão grande preferi deixá-las passar a me abaixar para segurá-las. Não eram minhas. Somente na segunda onda da série, notei uma mulher.
Tinha uma sacola de onde ainda fugiam alguns maços que assim que batiam no chão, ganhavam fôlego com o vento. Comecei então a pisar no dinheiro e com a mão amassei um cheque, ele me chamou a atenção por não ter cor. Imaginei que talvez fosse o mais alto valor daquela sacola, se eu catasse esse, talvez o prejuízo fosse menor.
"Me ajuda!" Coitada, ficou tão apatetada que não correu atrás do seu. Só gritava: "Me ajuda!" Tá. Fui catando o que pude. Por sorte um rapaz que vinha, catou o que me passou. Eu e ele ficamos com as duas mãos cheias de dinheiro amassado. Olhei praquilo tudo e achei engraçado. Uma criança com um monte de papél picado. Antes do impulso de jogar tudo pracima, ela estendeu a sua sacolinha e nós colocamos tudo ali.
"Que susto. O dinheiro do hospital do meu filho. Eu estava indo agora pagar. Ai, brigada gente. Eu não sei o que seria de mim se não fossem vocês. Meu marido ia me matar. Que loucura. Ainda bem que não tinha ninguém nas varandas. Meus vizinhos todos iam ver. Que vergonha."

Até compreendi sua vergonha, de alguma forma. E do meu ponto de vista, era um presságio. Quinta-feira, finados, sem perspectivas, uma onda de dinheiro vem em sua direção...

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Empírico

"O que é de gosto, é o arregalo da vida." - Avó do Jefinho

terça-feira, 24 de outubro de 2006

+ - >

quanto mais aprendo a menos pensar nisso, melhor

terça-feira, 17 de outubro de 2006

> Filme > Fim de Caso. Dir: Neil Jordan

Detetive - "O ciúmes só pode existir onde há desejo."
Maurice - "Então ele também sentiu o cheiro do amor..."
Sarah - "Você acha que o amor acaba, só porque não nos vemos?"
Maurice - "Ser é ser notado."
Sarah - "Eu desafiei o destino e ele aceitou. Eu estou no deserto agora."
Graham Greene - Fim de Caso

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Parque da Pedra da Cebola, Feira do Verde

Ontem, eucaliptos andantes, apitantes, gritantes, cantaram "Marcha Soldado" para a banda da Polícia Militar do Espírito Santo, que virou de costas. Foi lindo e bastante documentado.

CONFIRAM: http://anarkopagina.org/palca/

vultos & fantasmas

Vinha caminhando por aí olhando para dentro normalmente, como geralmente acontece familiar e entranhado por toda vida vivida.
Deu-se conta o tempo súbito ao sentir forte a perda de um momento tão comum.
Uma velha vinha da direção contrária e passou.

Desencadeou a explosão de uma bolha na boca do meu estômago, como algo muito pequeno que desde sempre esteve crescendo, mas só foi possível alcançar o tamanho suficiente para ser sentido agora, já tarde demais, agora quando impossível parar.

Calor, talvez de sangue que se explode e expande, ultrapassando eu mesma e para fora, deixando para trás olhos marejados em público, assustados em dúvida se devo permitir que continue a expandir pelo tempo que a emoção me tome, porque já algo fora de mim, ou estarei correndo o risco dela crescer, crescer, crescer... necessária e insuportável, porque não sou capaz de me desgarrar dela.

Por ser tanta coisa, amor, vergonha, medo, simples emoção em vão, foi bom e ruim. Quando dei por mim, apenas percebi no meu campo de visão a presença nublada desse vulto fantasmagórico de olhos velhos, acostumados a se perceber invisíveis a outros olhos como os de um fantasma que há muito vaga procurando e jamais encontra. Estampa, estanque, espera da iniciativa no outro.

Para me redimir fiquei tomada pela emoção e ela foi embora flutuando. Que vergonha. Como é que eu fui chegar nesse ponto. Bastava a gentileza de desejá-la boa noite. Porque era realmente noite. E era realmente boa. Por trás da minha timidez, meu escudo, me vi uma indelicada, mal educada, arrogante, vaidosa, egoísta, ciumenta, avara. Eu fiz ela se sentir só como um fantasma, só, por causa de uma coisa tão pouca, só, porque guardada.

Para o agora devo andar alertada. Atenta aos meus deslizes irresponsáveis no tempo. Ele é irrecuperável.
"Comecem seu dia com uma prece, fazendo-a de modo tão profundo que ela os acompanhe até a noite. Encerrem o dia com uma oração, para que tenham uma noite serena, livre de sonhos e pesadelos. Não se preocupem com a forma. Deixem que tome qualquer uma, desde que os coloquem em comunhão com o divino. Porém, seja a forma qual for, não permitam que o espírito vague enquanto as palavras da prece vão sendo pronunciadas." Mahatma Gandi

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Tanquinho, noite sem lua.

A ligação caiu. Por isso eu flagrei a velinha que ouvia nossa conversa se recolher da janela para a penumbra do seu quarto. Nenhuma casa tem muro. Só os ricos tem muros. Fora essas, são casinhas de meia água coloridas, portas e janelas dão direto na rua. Uma casa começa quando a outra termina e só dá pra saber disso porque muda de cor. Azul, amarela, vermelha, verde, por aí vai... São caiadas e o quintalzinho fica nos fundos.
Aqui as calçadas são altas, tipo um metro acima do nível da rua de um lado, do outro é mais baixo. A cidade fica numa região de morros suaves. Nada muito alto. Só o suficiente pra ter vielinhas sinuosas, sobes e desces. Algumas ruas são calçadas, com paralelepípedos ou com umas pedras da região que parecem aquelas usadas em piscinas.
Do outro lado da rua tem uma portinha iluminada. É uma casinha cor de rosa. A padaria. A rua é bem iluminada ladeada por pés de Oiti entre os postes. À noite, as pessoas ficam sentadas nas calçadas. Tem vários bolinhos de pessoas ao longo da rua. Um bando de meninos de um lado, um bando de meninas do outro. Os homens se reunem no final da rua, num banco. Lá ouvem-se as melhores mentiras do dia. A noite é fria e os velhos se agasalham mais que os jovens.
Passeando pela rua e olhando pra dentro das casas, vejo que todo mundo acompanha a novela. A casa que mais me chamou a atenção foi o interior de uma barbearia. Com uma daquelas cadeiras de barbeiro antigas, de couro, de costas para a rua. O espelho quadrado, as paredes verdes, me chamaram a atenção nessa noite.
Essa rua específicamente, começa e termina em praça. De um lado a praça da feira, onde se concentram as casas comerciais. São poucas lojas. Mas tem a casa do Jorge que faz queijo. Tem a casa do Nau, dono da venda que tem tudo. Por aí vai... A outra praça na verdade é uma área descampada com casas em volta. Um quadrado. Nas noites muito frias as pessoas fazem pequenas fogueiras em frente às casas e ficam batendo papo.
Saindo dessa rua, já pega o caminho da roça. São três quilômetros até a Minação, onde fica a nossa casa. No caminho, muitos sapos olham assustados o carro. Não sei porque, eles são enormes. Imagine um homem bem gordo levantando de uma cadeira de balanço. Os sapos cururus fazem o mesmo ruido pra pular. Tem muitas corujinhas também.
Hoje não tem lua, tem muitas estrelas. Olhar para elas é como olhar para o mar.

óbvio

ontem encontrei uma carta de amor que eu escrevi.
ridícula.

esse menino

me disseram que era um vagabundo.
todos os dias ele saiu lá da vila e veio aqui.
por todos ele fez, todo feliz.
lida com a terra e com os bichos.
pra mim ele está bem encaminhado.

Minação, inverno de 2004

sinto uma mudança se aproximando.
confesso que estou com medo.
um medo que acalma.
da certeza que acaba.

Impressões do momento

Na cidade, o tempo não para.
Na roça, o tempo não passa.

diálogo 64HY6H

- O amor é uma coisa boa?
- O amor é uma coisa que transforma.

terreiro do vovô



Minhas preciosas lembranças de coisas que meu pai construiu - viajens, festas, pessoas, riscos, perdas - o que vão ser delas? O que vai ser dos meus lugares, lugares dele. Eu quero que meus filhos curtam essas lembranças. Quero eles correndo nesse terreiro, furando o pé nesses espinhos, vendo essas nuvens, brincando com o vovô.

esse menino...


Desci pro açude com uma molecada faladora dos diabos.
Eles a fim de pescar, eu queria um pouco de sossego.
Impossível. Molecada faladora demanda muita atenção.
"Ô Alice, ô Alice, ô Alice."

É preciso ser mais condescedente com eles.
São só meninos. Fazem besteira, se metem em encrenca, são desengonçados.
Impulsivos. Isso não é tão ruim.
Tomara que eles fiquem assim pra sempre.

Literatura Marginal

Literatura Marginal
Domingo, Julho 23, 2006

Fonte: http://inimigodoinimigo.blogspot.com/2006/07/literatura-marginal.html

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Numa Pastelaria

Cabia a mim tomar as iniciativas, afinal. Mas, podendo dizer qualquer coisa, eu fiquei sem saber o que dizer... Nos olhamos e sorrimos meio sem graça. Bastou esse olhar um pouco envergonhado de ambas as partes e o momento ficou para a próxima. Baixamos nossas cabeças, eu sobre o caderno, ele sobre o pastél. A chuva cessou, o pastél acabou... Ficamos sem álibi, o tempo voltou a urgir. Ele pagou o lanche e ainda trocamos um tchau antes dele ir embora sei lá pra onde. Fiquei para trás, esperando, andando de uma lado para o outro da pastelaria apressada em ir embora. O telefone tocou. Minha carona estava no próximo quarteirão. Me lancei para a calçada num repente, a chuva ainda estava fraca. No caminho pensei que existem coisas boas que são pra não durar.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

A revolta dos fluidos

merda
vômito
suor
sangue
catarro
tudo líquido
sendo expulso

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Aproximadamante às onze horas e dez minutos da noite anterior, a pilha acabou.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Impressões da morte - 1ª tentativa

Me aproximei caminhando devagar.
No chão, ela se debatia já sem controle sobre o corpo.
Ajoelhei-me ao seu lado.
Toquei nela.
- shhhhhhh. Sou eu. Já vai passar... Olha pra mim. Isso. Já vai passar. Calma.
Embalei ela em meu colo sempre olhando fixo em seus olhos.
Pude vê-la e compreender o que me dizia. Ela estava tão confusa e assutada.
- Fique olhando pra mim. Eu estou aqui com você. Já vai passar.
Tudo isso eu fazia com ela em meus braços e olhando em seus olhos e caminhando instintivamente pelo caminho que deveria seguir. Então ela foi ficando calma, relaxando. Me olhando com uma pergunta. Nos compreendemos. Foi o mais fundo que eu olhei nos olhos de um vivente.
Foi então que de dentro de seus olhos, no líquido negro e reluzente da íris que estava bem dilatada, começou a surgir um outro líquido, Branco. E ele foi como que vazando do fundo, do infinito, e junto com ele veio trazendo tudo o que fazia dela ser. O negrume foi levado para a luz, deixando nada. Ganhou os ares, se foi, me passando através.
Olhei praqueles... não eram mais olhos. Tinha em meus braços um monte de carne, de víceras, de língua escorrendo sangue, de pêlo dourado sujo de poeira e o cheiro da morte.
sentir como se estivesse morrendo
é como ter a certeza de que se está vivendo

leso vivir (-.-)

Vitória tem tanta gente perturbada. Gente perturbada que vaga. Gente perturbada que cabe em qualquer lugar. Gente perturbada necessária. Arregalei meus olhos aos efeitos, aos impactos, aos contatos com suas idéias. Hoje assumo: me identifico mais com as perturbações.

"P.S.: Os caretas são perigosos. Os caretas estão se matando." - Lepreu e Alice
adoro a sua compania
quando estou longe
morro de saudade
quando estou perto
morro de agonia

da caverna

Temos medo de olhar para dentro do escuro.
Evitar olhar não está fazendo de mim uma pessoa melhor.
E eu preciso enfrentar o meu medo de mim.

tudo novo sempre

Na falta de compreensão sobre a vida, damos exagerados poderes à ciência.
Não existe padrão repetitivo na natureza.
Nada justifica essa busca.
Crer na ciência nos faz preguiçosos.
Porque queremos respostas fáceis.
Todo o dia o ar que eu respiro tem uma história nova.

roling stones













Um dia um grão de areia fez parte de uma imensa rocha. A pedra é um viajante mais lento. Ela viaja aos pedaços. Se divide em milhões de filhos que seguem as correntes do mar e se espalham pelo mundo semeando a terra. Fazendo as praias da Bahia. Não há vida numa pedra?

Campos Gravitacionais

Os campos gravitacionais mantém o equilíbrio das distâncias entre os corpos regulando a atração e a repulsa. Quando dois corpos se aproximam, dependendo da força do campo gravitacional de cada um, eles: se atraem e se chocam; se repelem e se distanciam; se regulam e mantém uma distância segura. No caso da terceira hipótese, para que haja essa regulação, a influência de um sobre o outro vai deixar inúmeras sequelas em ambos os corpos: maremotos; terremotos; tempestades; secas. Todas essas alterações que impedem que uma vida seja levada da mesma forma que vinha sendo anteriormente. Ninguém, na verdade, pode prever o que vai acontecer quando dois mundos se aproximam. Se um pode destruir o outro, quem é que vai juntar os cacos?

"podemos, dessa forma, considerar a gravidade, não como sendo uma das quatro forças básicas ou fundamentais da natureza, mas sim, uma diferença relativa das interações conhecidas."

terça-feira, 26 de setembro de 2006

é!

o tempo

não nos pertence
não pode ser comprado
cada coisa tem o seu
o tempo acontece

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Expect

Expectativas
Expectorantes
Expectadores

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

certas palavras

a palavra foi feita para ser escrita
em certos assuntos
a palavra confunde mais do que explica
aos sentidos o que é de direito

usufruir dos momentos
em silêncio

livres interpretações

"Te amo não por quem tu és, se não por quem sou quando estou contigo." - Gabriel García Marquez

Me odeio não por quem eu sou, se não por quem não sou quando estou contigo.

"Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo." - Gabriel García Marquez

Não passes o tempo com alguém a quem não esteja disposto a dedicá-lo.

ler e devanear

só sei fazer isso.
Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

Clarice Lispector"

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Elogios & Acessórios

Toda mulher quer.

custos e benefícios

O ônus do ânus é o pênis.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

ferida aberta

rolei na cama que nem um espeto de churrasco
são 3:30
a noite é longa e a luz só daqui a algumas horas
tempo demais pra escrever...

Casca de Ferida

minha pele toda está finíssima
o que está dentro, quase sai pra fora
e o que está fora, quando me toca, queima,
arde que nem fazer tatuagem
que nem ralepar e molhar em cima
a pele toda
acabei de nascer

Quando a gente ralepa, o bom é cair no mar.
Arde pracaralho tudo de uma só vez.
Talvez o sal ajude na cicatrização ou mantenha a ferida limpa.
E rapidinho a gente se acostuma com a água.
Logo vai nascer uma casca.
Daí, pode até enconstar.
Mas quando casca, coça muito.
E podendo tocar, a vontade de tirar a casca é muito grande.
Se pudermos controlar a necessidade de coçar, a ferida vai cicatrizar sem deixar marcas.
Se coçar... vai cicatrizar também. Vai demorar. Vai deixar marca.
Mas ô coceirinha gostosa...

Calma!

calma, Caraíva/BA,

agora estou tranquila
passei muitos anos sem me buscar,
perdida
envolvida com problemas familiares

fiquei com pressa,
quando dei por mim do atraso
ansiosa
fiquei cheia de dúvidas existenciais

sou uma criança, comecei a querer ser feliz
só agora entendo o que é experimentar ser eu mesma
não tenho pressa de encontrar outra pessoa

nem me achei ainda!
"Converte-te em uma melhor pessoa e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba." Gabriel García Marquez

um copo de coragem

Falta de coragem é um estado de constante insatisfação consigo, sabendo o que deveria ser feito pra mudar esse quadro.
Em caso de presença de coragem, o resultado é impossível de prever. Daí um impasse.
Manter ou não manter a ilusão de que se tem alguma espécie de controle sobre a própria vida?


NOTA: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17830482

eu em crise

Preciso extrair você de dentro de mim
Das minhas entranhas
Insistente
O dia inteiro
Eu fico de cabeça erguida
Extraio do melhor o que posso
A noite eu me rendo
Cansaço

quando

não quero disfarçar o que eu sinto
em nobres sentimentos

Nasci hoje
Agora vivo

com os olhos sinto a pele
sinto o cheiro com a boca e a língua
preciso ouvir o que eu sinto na carne

Circunstanciróscopo

"Pode parecer que são as circunstâncias, as instâncias e as pressões externas que estão lhe obrigando a reorientar seus rumos, mas talvez você não esteja percebendo que é a pressão interna que está aumentando. Tudo borbulha, querendo abrir a tampa e libertar o que há muito vem cozinhando em seu caldeirão. A fase do fogo brando já passou."

me faça sentido

Você, não me olhe.
Porque quando você me olha nos olhos
Puxa o que está dentro de mim pra fora
Que eu fico sem cor
Tenho medo de perder a alma.

Você, não me toque.
Porque quando você me toca a pele
Me sobe um arrepio pela espinha
Que eu fico com calor
Tenho medo de perder a calma.

E por favor, você, não me fale.
Porque quando você me fala aos ouvidos
Me faz vibrar as entranhas
Que eu sinto o seu hálito
Meus nervos ficam a flor da pele

Se você insistir vai ser impossível conter minha necessidade
De te olhar, te tocar, sentir teu cheiro, teu hálito
E dizer que eu te quero

Me beija na boca que eu quero conhecer o teu gosto
Leva a minha alma e me dê o seu calor
Preencha todo o resto com o teu cheiro e
Me mostra vida.

narciso

Olhei no espelho.
Vi olhos sem brilho.
Dentro de um círculo de cor
indefinida entre marrom e limo.
E uma névoa
que encobria uma visão mais clara das coisas.


"Tolos são os inautênticos. Permanecem estáticos diante de si." - Ariele Correa

espelho

Não sustento o olhar de ninguém que não esteja querendo me causar o mal.
A quem me quer o mal devolvo um olhar firme. Eu reflito.
A quem me quer o bem eu não sei...

Não suporto sentir o medo nos olhos de quem poderia amar.

Vem logo.

Laerte


Você sempre sabe onde tocar
quando enfia os dedos na minha buceta.
Primeiro eu sinto sua mão grossa e áspera
depois eu fico querendo você
se enfia todo dentro de mim.

O calor do teu corpo eu gosto de sentir entre as minhas coxas.
Você se batendo contra mim e eu te puxando pra você ir mais fundo.
Na minha boca a tua porra é a mais doce.
Na minha boca a tua porra parece saliva.

O teu pau é meu brinquedo.
Eu quero sempre me esfregar nele e te deixar louco.
Eu gosto de segurar nele e sentir teu gozo vindo...

Eu gosto que você rebole dentro de mim
Eu gosto de agarrar a sua bunda com as mãos
Eu gosto de lamber a sua orelha e morder seus ombros
Eu gosto que você seja homem. Não seja moleque.

Eu acho graça do jeito que você me chama de safada,
como se eu tivesse tentando esconder isso de você.


"O pecado é mais saudável e alegre do que a virtude. Aqueles que trocam o vício pela beatice tornam-se velhos feios e desagradáveis." Rubem Fonseca - O Doente Moliére

leis físicas

Meu irmão me falou de uma menina que se achava tão feia
e tão feia quanto se achava ela era.

Quando seus olhares se cruzavam
o dela pedia desculpas.
Por consideração.
Por consideração
o dele então se desviava.

O olhar é um espelho.
O olhar obedece a leis físicas.

de que me serve

Você não sou eu.
Nós só somos iguais na diferença.
Eu não quero mais você em mim.
Eu nem me lembro mais de como era o prazer.
Eu me esqueci de sentir.

Interwave

À beira da praia
Uma garrafa com uma mensagem.
Num mar de tempestade
esperando ser encontrada.

Terei sorte?

À beira do cais
Uma garrafa com uma mensagem.
...

do tudo


Do leste ao leste
Existe um único ponto de vista.
O que existe, só existe só.
Eu só quero ser
Não quero saber
Eu só quero
Eu só quero ser livre
E estar aqui
com você.

Caipirinha



uma pessoa
aprendeu a dosar
o mais e o menos
e o importante na vida

queimem o circo

Bufões usados para distrair nossa atenção...
Querem de nós o nosso despreparo, desespero.
Que tudo vá pelos ares!
Algo novo irá surgir.

brote da pele

Não estou seca.
Sinto fluido.
Sinto viscoso.
Difícil.
Empurrando o por dentro pra fora.

Já o expulsei de meus músculos.
Em algum lugar entre a carne e a pele
Está muito acomodado
(às vezes eu quase não percebo).
Sei que está lá porque meus músculos estão tesos,
cuidando para que não volte,
não se aprofunde,
não se entranhe.

Vou tomar um banho...

Basta

Fechar a porta
Virar a cara
Viver no alto
Selecionar
Evitar
Se diferenciar
Conhecer a família
Transar de camisinha
Ter os dentes
Cuidar da saúde
Comer bem
Ser legal
Engraçada
Ser amada

Mas o amor que se recebe
não é o mesmo que se dá.

Sou impermeável.

A GAZETA, Vitória (ES), segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Ex-modelo e três filhos mantidos presos na Ilha do Boi.
A mulher era mantida em cárcere privado pelo marido.

F. A. M. se casou com Antúlio Gomes Pinto aos 20 anos...


No auge da carreira de modelo. Muito trabalho, muitas festas, bebida, droga e sexo também. No auge e cheia de sonhos conheceu Antúlio, um jovem empresário de 30 anos que passou a encontrar em todas as festas. E ele demonstrava com muita segurança suas intenções e era um homem bonito. E era muito bem relacionado. Conhecia o high society capixaba.

Ela mesma era uma mulher bem nascida. Mas a sua família estava enfrentando problemas financeiros por causa de problemas políticos. E seu pai largou sua mãe e fugiu com a secretária para uma cobertura na Praia da Costa, deixando ela e a mãe, que nunca trabalharam, sozinhas, num quatro quartos na Praia do Canto.
Graças aos relacionamentos da mãe conseguiram evitar que a história da fuga desce nos jornais. Na verdade a separação salvou-as da devassa que o pai está sofrendo agora. Mas havia algum tempo que pagavam o dinheiro do condomínio graças à boa vontade do síndico.

como um bebê

Logo que nascemos: o esplendor da raça humana.
O milagre da natureza
na forma mais pura.
O ápice da nossa superioridade.
Espanto do desenvolvimento.
Já trazemos a nossa personalidade mais marcante, a que nos define.
Estamos absorvendo tudo a nossa volta.
Somos a compreensão em toda a sua compaixão.

Então aprendemos a falar
e nos corrompemos.

À medida que formos desenvolvendo a lógica, vamos nos tornando mais burros.
Nos separamos por partes.
Decidimos a parte que decide
a parte que comanda o espetáculo.
Viramos marionetes da nossa própria cultura.

Portanto, quanto antes souber viver como bebê, melhor.
Não pra ficar jovem para sempre.
Mas para sentir sem preconceitos o que for novo.

"Sim, eu também me tornei um monstro e meu único desejo na vida é voltar a ser macaco." Rubem Fonseca - Romance Negro e Outras Histórias

louca e linda

Me jogando de propósito em barcas furadas.
Só pra sentir a emoção do pulo e a ânsia do caldo.
As minhas tensões estão se aprimorando.
Há algo em nós que unifica os muitos dentro de nós.
Que faz o coração bater, o sangue correr, a respiração preencher a vida.

Estou conversando com meu corpo.



Também falo com meu cachorro.
E quando conversar com as plantas, elas vão ganhar viço.
Isso qualquer vovó pode confirmar.
Sabedoria popular.
Somos todos seres muito sociáveis.


cegueira

O que será isso que me assombra?
Isso que eu vi.
Uma coisa que eu sentia que somente eu havia visto.
Mas de que adiantava eu ver se não estava lá.
Ele, que era ele mesmo, não via.
Se ele afirmava que não havia, porque eu haveria de duvidar?

Eu insistia.
Esperava que isso fosse aflorar.
Só que eu também tenho pressa.
Eu quero algo pronto, difícil de achar.
A metade da minha vida fácil não me satisfaz.
A metade difícil... metafísica demais.

E eu sou assombrada, construída, sei lá.
Estou num ponto.
Eu sou um ponto.
Eu só tenho uma certeza.
A urgência da morte faz a necessidade do amor.
E sua busca dá prazer.

Eu só quero saber do que pode dar certo.

medíocre

Um dia meu professor na faculdade disse que existiam dois tipos de escritores:

Os que morrem cedo porque vivem intensamente.
Esses escrevem sobre o que vivem.

E os que morrem velinhos porque vivem muito mansamente.
Esses escrevem sobre o que imaginam.

Será que eu serei escritora?
Não sou afeita aos extremos.
Serei medíocre.

Viverei a imaginação.

miséria em qualquer canto

Você não escolheu levar a vida que leva.
Mas eu também não escolhi essa vida.


Você pensa que eu sou melhor do que você? Ou eu? Por que?
Por causa do que eu visto? Da beleza? Dos dentes? Você me culpa pelo seu sofrimento? Eu me culpo pelo seu? Eu devo a você? Tenho que pagar? O que você sente? É vazio? Você é mais infeliz porque viu mais coisas terríveis? Você viu miséria?


Nós todos vemos a miséria.
A miséria tem muito a mostrar.
Ela está em todos os lugares.
O dinheiro não vai te ajudar a fugir dela.

a mentira

A verdade nos salvará.
A verdade é uma pílula vendida por médicos.
A verdade é uma bala vendida por traficantes.
A verdade é uma palavra vendida por religiosos.
A verdade é uma necessidade que todo mundo inventa.

É possível falar um monte de mentira dizendo só a verdade.

A educação permitirá a escolha.
A vida é uma biblioteca.
Não vai dar tempo de ler tudo.


Salvação é pra quem não tem responsabilidade com a própria existência.

Do 8 e do 80

Menos que 8 é pouco.
Mais que 80 é muito.

80 é a base.
De 80 vc tira 8 que prestam.
Esses 8 vão alimentar sonhos em 80.
Que vão gerar outros 8, que vão influenciar outros 80.

E entre 8 e 80 ficam os mediocres.
Esqueçam o caminho do meio.
Já mataram Deus, vamos matar Buda.

Vamos ser 8 e 80.

golpe da barriga

Ele me conheceu na Swinger's.
Bêbada. Mas linda, maquiada, bem vestida, gostosa e feliz. Me divertindo, enfim...
Ele se apaixonou.
Eu me apaixonei.

Aos meus olhos, um homem vivido que gostava de se divertir era perfeito.
O sexo era bom e nós nos divertíamos, por isso paramos com a camisinha.
Nos amávamos, quisemos engravidar.
Nos divertimos muito antes de decidir morar juntos e construir algo mais sólido entre nós.
Pra mim, apesar de ser divertido como era, já estava na hora de procurar crescer...
Então fomos 'morar junto'.

Primeiro ele me convenceu que eu não precisava trabalhar tanto, afinal, isso era muito chato e nós poderíamos dividir as tarefas: ele ia pro trabalho na rua e eu ficaria com o trabalho de casa.
E afinal, eu era uma mulher grávida. Não era bom para o bebê ficar batendo perna por aí...

Ele achou também que eu não precisava malhar tanto, afinal, pra que continuar gostosa? Eu já estava "garantida", não precisava daquela bunda dura rebolando por aí. Não era bom para o bebê ficar batendo perna por aí...

Enfim, essas frases que os homens dizem quando se preocupam com a gente:
- Não precisa se maquiar toda vez que a gente sai.
- Você não tá sentindo frio com essa roupa?
- Já chega, né amor. Já bebeu muito.

A tudo eu aceitei. Por que eu acreditava que amor era ter alguém que cuidasse da gente. E de quem a gente cuidasse de volta.

Perceber a barca furada na qual eu havia me metido foi simples:
Ele abria a porta e tirava o sapato. O sapato ficava na frente porta da entrada.
Ia até a cozinha e pegava um copo de água. O copo ficava na mesa de centro na sala.
Tomava um banho. A toalha ficava em cima da cama. Em cima do meu lado da cama.
Comia e largava o prato sujo.

No começo eu arrumava. Não aquento casa suja. Mas era impossível... Eu não dava conta da demanda... Então decidi simplesmente largar o que ele sujasse no mesmo lugar. Sem stress ou cobranças, eu pensei. Se a sujeira incomodar ele não vai mais fazê-la. A sujeira incomodou a ele. E ele cobrou que eu deveria limpá-la. Afinal eu não fazia nada, só ficava em casa...

Quem dá o golpe da barriga é o homem.
Com o golpe da barriga a mulher fica quietinha em casa aceitando esse tipo de situação na ilusão de que logo, logo isso passa. Mas essa situação dura uns bons 15 anos. 15 anos sem malhar, sem usar maquiagem, sem ir a boate, sem usar roupas curtas, esquentando a barriga no fogão e esfriando no tanque. 15 anos até que ele pegue uma mulher mais nova, malhadinha, bonitinha e feliz.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

os sentidos libertam dos sonhos

ouço um martelo no apartamento vizinho
vejo um aranha entre as latas
sinto uma formiga me subir pela perna
um adocicada acidez remanescente do café

C

dói conter os sentimentos
dói por onde eles tentam se expressar
dói na face conter o rubor

sentir me dá medo
é preciso contrair o rosto
reprimindo o sentimento
expressando dor
uma luta
que me deixa vulnerável
com tanta gente em volta
alguém se aproxima

venha

pode vir a meu mundo
pode virar meu mundo

EU QUERO DO MUNDO O QUE ESTÁ DENTRO DE MIM

muda

tem que ser uma viagem
aqui dentro tem tanta gente
diferente de tantos lugares

muda
em silêncio
faz a caminhada
feita pra ser sozinha
quem diz o que te aguarda no percurso
quem diz o teu caminho
te cala

os amigos são poucos
na verdade
esse é o momento de conhecê-los
aos que ficam
aos que levo comigo

divagar sempre

medo são pensamentos
que se infiltram nos sonhos
irrompem bruscamente
infiltrando imagens

preste atenção ao impacto que a visão desse pensamento provoca no corpo
resulta num despertar

susto
perda de noção de tempo
deslocamento
estranhamento
surpresa

então passa e os músculos descontraem
volto a divagar em casa

só

dor a gente carrega só
existe e ninguém vai saber
não é possível de ser compartilhada
não por quem sente tanto nada

ai... ai

vida vida vida

faça algum sentido lógico

ou então não faça

seja apenas assim esse caos

então me desperte os sentidos físicos

vai saber

o que não tem remédio, remediado está
mas, como é que fica
assim... assim...
assim não é possível
assim esse alguma coisa que tem, mas não tem
está, mas não está
existe, mas não existe

eu não sei se sou contraditória ou incompleta
assim eu não vou chegar a lugar nenhum

sábado, 9 de setembro de 2006

fazer e falar

Faço muito menos do que ouço
Falo muito menos do que faço

antes da carta

que fique o registro por escrito
no próprio punho
à lápis, sem borracha

para que os erros fiquem aparentes
para que os vacilos fiquem evidentes
eu até deixo clara uma pausa prolongada

mas que fique claro que eu não estou a fim da atenção que me dispensas.


"os erros, como a palha, bóiam na superfície; aquele que procura pérolas deve mergulhar fundo." Rubem Fonseca - in: Relatório de Carlos

é difícil acreditarem
sei que desejo pra minha vida
ficam me testando
jogando migalhas
pílulas para a felicidade

o que eu seria se desejasse satisfazer
a todas as expectativas ao meu respeito

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Esperei...

Tentei todas as artimanhas para me enganar
Esgotei todos os argumento para me dissuadir
Na esperança de que o tempo desse seu jeito

Adio.. o quê, eu não sei
Me impondo o sacrifício de te evitar
Porque a tudo a gente se acostuma

Daí, no fim eu sinto um vazio piegas
Eu tô oca.

[os jovens] uns fogem do amor e outros o procuram com sofreguidão, mas no fim o que fica em todos, é a mesma coisa, uma insuportável sensação de vazio. (...) Saudemos o vazio de todos nós. Rubem Fonseca - "Gazeta", in: Os Prisioneiros

diálogo OQH578

Parado na frente dela, ele observa seu rosto contorcido num delírio mudo, de riso e choro contidos.
Enquanto ele limpa o balcão para servir-lhe, ela esfrega o rosto tentando se recompor.
"Você está apaixonada por um rapaz que não lhe corresponde?"
Ela sorri, um sorriso curto. Deixa a cabeça tombar até se aconchegar na tábua polida do balcão.
"Eu quero bebida. Uma que me dê amnésia. Eu quero acordar e esquecer. Você se importa? Você teria esse cuidado comigo? Mas devo avisar que talvez eu não reconheça o valor do seu favor, se você cuidar de mim essa noite. Quando chegar amanhã, eu não sei."

diálogo LH48Q1



"Você está bem?"
"Não. Não tô nada bem... Você está preparado pra ouvir uma confissão? Sabe como é: é mais fácil se confessar para estranhos. Tão aí os padres, os psicólogos e os carrascos para atestar o que eu digo. A gente se confessa para estranhos por motivos diversos..."

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

apenas ser


Uma mulher infeliz está
junto a um homem infeliz.
Ambos sabem que não são capazes
de deixar um ao outro apenas ser.
Pois assim sendo,
se perderiam.