Quando eu pedi, ganhei um amor de verão.
Quando eu pedi, ganhei um amor de verdade.
Tive meus pedidos atendidos, por isso agradeço.
Agora não vou pedir mais nada.
Quem sabe o amor vem, de simples.
domingo, 24 de dezembro de 2006
sábado, 2 de dezembro de 2006
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Preencha o espaço vazio
Início:
Se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]
meio: [...] se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]
[...] se numa outra ocasição, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos. fim.
--------------------
"tu, manejando o sintoma de minha caligrafia
e encontrando na areia do caderno
as letras extraviadas que buscavam tua boca."
Pablo Neruda
Se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]
meio: [...] se numa outra ocasião, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos [...]
[...] se numa outra ocasição, se numa outra realidade, as coisas fossem diferentes e nós pudéssemos. fim.
--------------------
"tu, manejando o sintoma de minha caligrafia
e encontrando na areia do caderno
as letras extraviadas que buscavam tua boca."
Pablo Neruda
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Segredos Escritos
O sonho de quem escreve num caderninho secreto é ser flagrado. O caderninho já nasceu predestinado.
diálogo L2J62JJ
O que ele falou não importa.
Não que nao importe... é uma referência. Mas não é o que importa pra mim. A partir do momento que eu ouço, o que ele fala dele vira uma construção minha sobre ele. Eu me aproprio.
Ele não é dono do que fala.
Não pode controlar os significados. O que ele queria me fazer pensar sobre ele, eu já esqueci. Esqueci enquanto dava significado ao que eu ouvia.
Já era.
Falou tá falado.
Não é mais seu.
Perdeu.
Não que nao importe... é uma referência. Mas não é o que importa pra mim. A partir do momento que eu ouço, o que ele fala dele vira uma construção minha sobre ele. Eu me aproprio.
Ele não é dono do que fala.
Não pode controlar os significados. O que ele queria me fazer pensar sobre ele, eu já esqueci. Esqueci enquanto dava significado ao que eu ouvia.
Já era.
Falou tá falado.
Não é mais seu.
Perdeu.
mínimo
do batente da porta
ainda sentia seu cheiro
e queria me deixar levar
se tudo não ficasse tão rápido
que desse tanto medo
ainda sentia seu cheiro
e queria me deixar levar
se tudo não ficasse tão rápido
que desse tanto medo
Pérolas do pensamento masculino...
Não espere que as pérolas do pensamento masculino venham da nossa música e literatura, como Tom, Vinícius e Chico. Essa linda prosopopéia, tão trabalhada antes de cumprir seu destino: falar de caso pensado. Pensamentos em edições de luxo que não refletem os raros e fugazes ensinamentos do agora imediato.
Por isso, as pérolas do pensamento masculino que se seguem estão sendo extraídas do lugar comum, na mais pura transmissão oral. Daqueles momentos em que os homens não pensam muito pra falar e que refletem alguma verdade, mesmo que fora do contexto em que foram ditas...
"Eu já brinquei muito de Atari. Hoje eu brinco de buceta."
"Eu estou na descendente da curva de Gauss. Estou numa fase da vida em que: deu tesão, come."
"Já que tá lá, deixa que lá teja."
"Enche o cú de maconha e fica aí... falando merda."
Por isso, as pérolas do pensamento masculino que se seguem estão sendo extraídas do lugar comum, na mais pura transmissão oral. Daqueles momentos em que os homens não pensam muito pra falar e que refletem alguma verdade, mesmo que fora do contexto em que foram ditas...
"Eu já brinquei muito de Atari. Hoje eu brinco de buceta."
"Eu estou na descendente da curva de Gauss. Estou numa fase da vida em que: deu tesão, come."
"Já que tá lá, deixa que lá teja."
"Enche o cú de maconha e fica aí... falando merda."
sábado, 18 de novembro de 2006
terça-feira, 14 de novembro de 2006
Olhar pra dentro
Não é um dia. Céu baixo, bloco de tempo suspenso.
A chuva cai pra assentar o metal que a gente respira nos dias ensolarados e de pôr-do-sol rosa.
A chuva cai pra assentar o metal que a gente respira nos dias ensolarados e de pôr-do-sol rosa.
Lá fora a paisagem só alcança até o primeiro plano e o frio encolhe as iniciativas de sair de si.
Não há nada além em qualquer direção para ser distração...
sábado, 11 de novembro de 2006
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Finados
Então, chegou o feriado. O último possível de viajar antes do fim do ano. Me sentia na obrigação mas, faltava inspiração. A TPM estava indo embora... E a lua ficava cheia na sexta. Perspectiva nada boa.
Mais uma rua sem árvores. Dessas que estão povoando os bairros residenciais com novos empreendimentos imobiliários. "Venha morar bem numa rua sem árvores. Veja como é linda a nossa fachada."
Até tentei os amigos. Eles dormiam. Isso enquanto eu dava uma volta em Jardim Camburi. Foi quando o vento me chamou os olhos pra frente.
Um montão de dinheiro corria pela rua em minha direção. Amarelas e vermelinhas. Pulando e correndo. O dinheiro até parecia vivo. A surpresa foi tão grande preferi deixá-las passar a me abaixar para segurá-las. Não eram minhas. Somente na segunda onda da série, notei uma mulher.
Tinha uma sacola de onde ainda fugiam alguns maços que assim que batiam no chão, ganhavam fôlego com o vento. Comecei então a pisar no dinheiro e com a mão amassei um cheque, ele me chamou a atenção por não ter cor. Imaginei que talvez fosse o mais alto valor daquela sacola, se eu catasse esse, talvez o prejuízo fosse menor.
"Me ajuda!" Coitada, ficou tão apatetada que não correu atrás do seu. Só gritava: "Me ajuda!" Tá. Fui catando o que pude. Por sorte um rapaz que vinha, catou o que me passou. Eu e ele ficamos com as duas mãos cheias de dinheiro amassado. Olhei praquilo tudo e achei engraçado. Uma criança com um monte de papél picado. Antes do impulso de jogar tudo pracima, ela estendeu a sua sacolinha e nós colocamos tudo ali.
"Que susto. O dinheiro do hospital do meu filho. Eu estava indo agora pagar. Ai, brigada gente. Eu não sei o que seria de mim se não fossem vocês. Meu marido ia me matar. Que loucura. Ainda bem que não tinha ninguém nas varandas. Meus vizinhos todos iam ver. Que vergonha."
Até compreendi sua vergonha, de alguma forma. E do meu ponto de vista, era um presságio. Quinta-feira, finados, sem perspectivas, uma onda de dinheiro vem em sua direção...
Mais uma rua sem árvores. Dessas que estão povoando os bairros residenciais com novos empreendimentos imobiliários. "Venha morar bem numa rua sem árvores. Veja como é linda a nossa fachada."
Até tentei os amigos. Eles dormiam. Isso enquanto eu dava uma volta em Jardim Camburi. Foi quando o vento me chamou os olhos pra frente.
Um montão de dinheiro corria pela rua em minha direção. Amarelas e vermelinhas. Pulando e correndo. O dinheiro até parecia vivo. A surpresa foi tão grande preferi deixá-las passar a me abaixar para segurá-las. Não eram minhas. Somente na segunda onda da série, notei uma mulher.
Tinha uma sacola de onde ainda fugiam alguns maços que assim que batiam no chão, ganhavam fôlego com o vento. Comecei então a pisar no dinheiro e com a mão amassei um cheque, ele me chamou a atenção por não ter cor. Imaginei que talvez fosse o mais alto valor daquela sacola, se eu catasse esse, talvez o prejuízo fosse menor.
"Me ajuda!" Coitada, ficou tão apatetada que não correu atrás do seu. Só gritava: "Me ajuda!" Tá. Fui catando o que pude. Por sorte um rapaz que vinha, catou o que me passou. Eu e ele ficamos com as duas mãos cheias de dinheiro amassado. Olhei praquilo tudo e achei engraçado. Uma criança com um monte de papél picado. Antes do impulso de jogar tudo pracima, ela estendeu a sua sacolinha e nós colocamos tudo ali.
"Que susto. O dinheiro do hospital do meu filho. Eu estava indo agora pagar. Ai, brigada gente. Eu não sei o que seria de mim se não fossem vocês. Meu marido ia me matar. Que loucura. Ainda bem que não tinha ninguém nas varandas. Meus vizinhos todos iam ver. Que vergonha."
Até compreendi sua vergonha, de alguma forma. E do meu ponto de vista, era um presságio. Quinta-feira, finados, sem perspectivas, uma onda de dinheiro vem em sua direção...
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
terça-feira, 24 de outubro de 2006
terça-feira, 17 de outubro de 2006
> Filme > Fim de Caso. Dir: Neil Jordan
terça-feira, 10 de outubro de 2006
Parque da Pedra da Cebola, Feira do Verde
Ontem, eucaliptos andantes, apitantes, gritantes, cantaram "Marcha Soldado" para a banda da Polícia Militar do Espírito Santo, que virou de costas. Foi lindo e bastante documentado.
CONFIRAM: http://anarkopagina.org/palca/
CONFIRAM: http://anarkopagina.org/palca/
vultos & fantasmas
Vinha caminhando por aí olhando para dentro normalmente, como geralmente acontece familiar e entranhado por toda vida vivida.
Deu-se conta o tempo súbito ao sentir forte a perda de um momento tão comum.
Uma velha vinha da direção contrária e passou.
Desencadeou a explosão de uma bolha na boca do meu estômago, como algo muito pequeno que desde sempre esteve crescendo, mas só foi possível alcançar o tamanho suficiente para ser sentido agora, já tarde demais, agora quando impossível parar.
Calor, talvez de sangue que se explode e expande, ultrapassando eu mesma e para fora, deixando para trás olhos marejados em público, assustados em dúvida se devo permitir que continue a expandir pelo tempo que a emoção me tome, porque já algo fora de mim, ou estarei correndo o risco dela crescer, crescer, crescer... necessária e insuportável, porque não sou capaz de me desgarrar dela.
Por ser tanta coisa, amor, vergonha, medo, simples emoção em vão, foi bom e ruim. Quando dei por mim, apenas percebi no meu campo de visão a presença nublada desse vulto fantasmagórico de olhos velhos, acostumados a se perceber invisíveis a outros olhos como os de um fantasma que há muito vaga procurando e jamais encontra. Estampa, estanque, espera da iniciativa no outro.
Para me redimir fiquei tomada pela emoção e ela foi embora flutuando. Que vergonha. Como é que eu fui chegar nesse ponto. Bastava a gentileza de desejá-la boa noite. Porque era realmente noite. E era realmente boa. Por trás da minha timidez, meu escudo, me vi uma indelicada, mal educada, arrogante, vaidosa, egoísta, ciumenta, avara. Eu fiz ela se sentir só como um fantasma, só, por causa de uma coisa tão pouca, só, porque guardada.
Para o agora devo andar alertada. Atenta aos meus deslizes irresponsáveis no tempo. Ele é irrecuperável.
Deu-se conta o tempo súbito ao sentir forte a perda de um momento tão comum.
Uma velha vinha da direção contrária e passou.
Desencadeou a explosão de uma bolha na boca do meu estômago, como algo muito pequeno que desde sempre esteve crescendo, mas só foi possível alcançar o tamanho suficiente para ser sentido agora, já tarde demais, agora quando impossível parar.
Calor, talvez de sangue que se explode e expande, ultrapassando eu mesma e para fora, deixando para trás olhos marejados em público, assustados em dúvida se devo permitir que continue a expandir pelo tempo que a emoção me tome, porque já algo fora de mim, ou estarei correndo o risco dela crescer, crescer, crescer... necessária e insuportável, porque não sou capaz de me desgarrar dela.
Por ser tanta coisa, amor, vergonha, medo, simples emoção em vão, foi bom e ruim. Quando dei por mim, apenas percebi no meu campo de visão a presença nublada desse vulto fantasmagórico de olhos velhos, acostumados a se perceber invisíveis a outros olhos como os de um fantasma que há muito vaga procurando e jamais encontra. Estampa, estanque, espera da iniciativa no outro.
Para me redimir fiquei tomada pela emoção e ela foi embora flutuando. Que vergonha. Como é que eu fui chegar nesse ponto. Bastava a gentileza de desejá-la boa noite. Porque era realmente noite. E era realmente boa. Por trás da minha timidez, meu escudo, me vi uma indelicada, mal educada, arrogante, vaidosa, egoísta, ciumenta, avara. Eu fiz ela se sentir só como um fantasma, só, por causa de uma coisa tão pouca, só, porque guardada.
Para o agora devo andar alertada. Atenta aos meus deslizes irresponsáveis no tempo. Ele é irrecuperável.
"Comecem seu dia com uma prece, fazendo-a de modo tão profundo que ela os acompanhe até a noite. Encerrem o dia com uma oração, para que tenham uma noite serena, livre de sonhos e pesadelos. Não se preocupem com a forma. Deixem que tome qualquer uma, desde que os coloquem em comunhão com o divino. Porém, seja a forma qual for, não permitam que o espírito vague enquanto as palavras da prece vão sendo pronunciadas." Mahatma Gandi
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Tanquinho, noite sem lua.
A ligação caiu. Por isso eu flagrei a velinha que ouvia nossa conversa se recolher da janela para a penumbra do seu quarto. Nenhuma casa tem muro. Só os ricos tem muros. Fora essas, são casinhas de meia água coloridas, portas e janelas dão direto na rua. Uma casa começa quando a outra termina e só dá pra saber disso porque muda de cor. Azul, amarela, vermelha, verde, por aí vai... São caiadas e o quintalzinho fica nos fundos.
Aqui as calçadas são altas, tipo um metro acima do nível da rua de um lado, do outro é mais baixo. A cidade fica numa região de morros suaves. Nada muito alto. Só o suficiente pra ter vielinhas sinuosas, sobes e desces. Algumas ruas são calçadas, com paralelepípedos ou com umas pedras da região que parecem aquelas usadas em piscinas.
Do outro lado da rua tem uma portinha iluminada. É uma casinha cor de rosa. A padaria. A rua é bem iluminada ladeada por pés de Oiti entre os postes. À noite, as pessoas ficam sentadas nas calçadas. Tem vários bolinhos de pessoas ao longo da rua. Um bando de meninos de um lado, um bando de meninas do outro. Os homens se reunem no final da rua, num banco. Lá ouvem-se as melhores mentiras do dia. A noite é fria e os velhos se agasalham mais que os jovens.
Passeando pela rua e olhando pra dentro das casas, vejo que todo mundo acompanha a novela. A casa que mais me chamou a atenção foi o interior de uma barbearia. Com uma daquelas cadeiras de barbeiro antigas, de couro, de costas para a rua. O espelho quadrado, as paredes verdes, me chamaram a atenção nessa noite.
Essa rua específicamente, começa e termina em praça. De um lado a praça da feira, onde se concentram as casas comerciais. São poucas lojas. Mas tem a casa do Jorge que faz queijo. Tem a casa do Nau, dono da venda que tem tudo. Por aí vai... A outra praça na verdade é uma área descampada com casas em volta. Um quadrado. Nas noites muito frias as pessoas fazem pequenas fogueiras em frente às casas e ficam batendo papo.
Saindo dessa rua, já pega o caminho da roça. São três quilômetros até a Minação, onde fica a nossa casa. No caminho, muitos sapos olham assustados o carro. Não sei porque, eles são enormes. Imagine um homem bem gordo levantando de uma cadeira de balanço. Os sapos cururus fazem o mesmo ruido pra pular. Tem muitas corujinhas também.
Hoje não tem lua, tem muitas estrelas. Olhar para elas é como olhar para o mar.
Aqui as calçadas são altas, tipo um metro acima do nível da rua de um lado, do outro é mais baixo. A cidade fica numa região de morros suaves. Nada muito alto. Só o suficiente pra ter vielinhas sinuosas, sobes e desces. Algumas ruas são calçadas, com paralelepípedos ou com umas pedras da região que parecem aquelas usadas em piscinas.
Do outro lado da rua tem uma portinha iluminada. É uma casinha cor de rosa. A padaria. A rua é bem iluminada ladeada por pés de Oiti entre os postes. À noite, as pessoas ficam sentadas nas calçadas. Tem vários bolinhos de pessoas ao longo da rua. Um bando de meninos de um lado, um bando de meninas do outro. Os homens se reunem no final da rua, num banco. Lá ouvem-se as melhores mentiras do dia. A noite é fria e os velhos se agasalham mais que os jovens.
Passeando pela rua e olhando pra dentro das casas, vejo que todo mundo acompanha a novela. A casa que mais me chamou a atenção foi o interior de uma barbearia. Com uma daquelas cadeiras de barbeiro antigas, de couro, de costas para a rua. O espelho quadrado, as paredes verdes, me chamaram a atenção nessa noite.
Essa rua específicamente, começa e termina em praça. De um lado a praça da feira, onde se concentram as casas comerciais. São poucas lojas. Mas tem a casa do Jorge que faz queijo. Tem a casa do Nau, dono da venda que tem tudo. Por aí vai... A outra praça na verdade é uma área descampada com casas em volta. Um quadrado. Nas noites muito frias as pessoas fazem pequenas fogueiras em frente às casas e ficam batendo papo.
Saindo dessa rua, já pega o caminho da roça. São três quilômetros até a Minação, onde fica a nossa casa. No caminho, muitos sapos olham assustados o carro. Não sei porque, eles são enormes. Imagine um homem bem gordo levantando de uma cadeira de balanço. Os sapos cururus fazem o mesmo ruido pra pular. Tem muitas corujinhas também.
Hoje não tem lua, tem muitas estrelas. Olhar para elas é como olhar para o mar.
esse menino
me disseram que era um vagabundo.
todos os dias ele saiu lá da vila e veio aqui.
por todos ele fez, todo feliz.
lida com a terra e com os bichos.
pra mim ele está bem encaminhado.
todos os dias ele saiu lá da vila e veio aqui.
por todos ele fez, todo feliz.
lida com a terra e com os bichos.
pra mim ele está bem encaminhado.
Minação, inverno de 2004
sinto uma mudança se aproximando.
confesso que estou com medo.
um medo que acalma.
da certeza que acaba.
confesso que estou com medo.
um medo que acalma.
da certeza que acaba.
terreiro do vovô

Minhas preciosas lembranças de coisas que meu pai construiu - viajens, festas, pessoas, riscos, perdas - o que vão ser delas? O que vai ser dos meus lugares, lugares dele. Eu quero que meus filhos curtam essas lembranças. Quero eles correndo nesse terreiro, furando o pé nesses espinhos, vendo essas nuvens, brincando com o vovô.
esse menino...

Desci pro açude com uma molecada faladora dos diabos.
Eles a fim de pescar, eu queria um pouco de sossego.
Impossível. Molecada faladora demanda muita atenção.
"Ô Alice, ô Alice, ô Alice."
É preciso ser mais condescedente com eles.
São só meninos. Fazem besteira, se metem em encrenca, são desengonçados.
Impulsivos. Isso não é tão ruim.
Tomara que eles fiquem assim pra sempre.
Literatura Marginal
Literatura Marginal
Domingo, Julho 23, 2006
Fonte: http://inimigodoinimigo.blogspot.com/2006/07/literatura-marginal.html
Domingo, Julho 23, 2006
Fonte: http://inimigodoinimigo.blogspot.com/2006/07/literatura-marginal.html
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Numa Pastelaria
Cabia a mim tomar as iniciativas, afinal. Mas, podendo dizer qualquer coisa, eu fiquei sem saber o que dizer... Nos olhamos e sorrimos meio sem graça. Bastou esse olhar um pouco envergonhado de ambas as partes e o momento ficou para a próxima. Baixamos nossas cabeças, eu sobre o caderno, ele sobre o pastél. A chuva cessou, o pastél acabou... Ficamos sem álibi, o tempo voltou a urgir. Ele pagou o lanche e ainda trocamos um tchau antes dele ir embora sei lá pra onde. Fiquei para trás, esperando, andando de uma lado para o outro da pastelaria apressada em ir embora. O telefone tocou. Minha carona estava no próximo quarteirão. Me lancei para a calçada num repente, a chuva ainda estava fraca. No caminho pensei que existem coisas boas que são pra não durar.
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
quinta-feira, 28 de setembro de 2006
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Impressões da morte - 1ª tentativa
Me aproximei caminhando devagar.
No chão, ela se debatia já sem controle sobre o corpo.
Ajoelhei-me ao seu lado.
Toquei nela.
- shhhhhhh. Sou eu. Já vai passar... Olha pra mim. Isso. Já vai passar. Calma.
Embalei ela em meu colo sempre olhando fixo em seus olhos.
Pude vê-la e compreender o que me dizia. Ela estava tão confusa e assutada.
- Fique olhando pra mim. Eu estou aqui com você. Já vai passar.
Tudo isso eu fazia com ela em meus braços e olhando em seus olhos e caminhando instintivamente pelo caminho que deveria seguir. Então ela foi ficando calma, relaxando. Me olhando com uma pergunta. Nos compreendemos. Foi o mais fundo que eu olhei nos olhos de um vivente.
Foi então que de dentro de seus olhos, no líquido negro e reluzente da íris que estava bem dilatada, começou a surgir um outro líquido, Branco. E ele foi como que vazando do fundo, do infinito, e junto com ele veio trazendo tudo o que fazia dela ser. O negrume foi levado para a luz, deixando nada. Ganhou os ares, se foi, me passando através.
Olhei praqueles... não eram mais olhos. Tinha em meus braços um monte de carne, de víceras, de língua escorrendo sangue, de pêlo dourado sujo de poeira e o cheiro da morte.
No chão, ela se debatia já sem controle sobre o corpo.
Ajoelhei-me ao seu lado.
Toquei nela.
- shhhhhhh. Sou eu. Já vai passar... Olha pra mim. Isso. Já vai passar. Calma.
Embalei ela em meu colo sempre olhando fixo em seus olhos.
Pude vê-la e compreender o que me dizia. Ela estava tão confusa e assutada.
- Fique olhando pra mim. Eu estou aqui com você. Já vai passar.
Tudo isso eu fazia com ela em meus braços e olhando em seus olhos e caminhando instintivamente pelo caminho que deveria seguir. Então ela foi ficando calma, relaxando. Me olhando com uma pergunta. Nos compreendemos. Foi o mais fundo que eu olhei nos olhos de um vivente.
Foi então que de dentro de seus olhos, no líquido negro e reluzente da íris que estava bem dilatada, começou a surgir um outro líquido, Branco. E ele foi como que vazando do fundo, do infinito, e junto com ele veio trazendo tudo o que fazia dela ser. O negrume foi levado para a luz, deixando nada. Ganhou os ares, se foi, me passando através.
Olhei praqueles... não eram mais olhos. Tinha em meus braços um monte de carne, de víceras, de língua escorrendo sangue, de pêlo dourado sujo de poeira e o cheiro da morte.
leso vivir (-.-)
Vitória tem tanta gente perturbada. Gente perturbada que vaga. Gente perturbada que cabe em qualquer lugar. Gente perturbada necessária. Arregalei meus olhos aos efeitos, aos impactos, aos contatos com suas idéias. Hoje assumo: me identifico mais com as perturbações.
"P.S.: Os caretas são perigosos. Os caretas estão se matando." - Lepreu e Alice
"P.S.: Os caretas são perigosos. Os caretas estão se matando." - Lepreu e Alice
da caverna
Temos medo de olhar para dentro do escuro.
Evitar olhar não está fazendo de mim uma pessoa melhor.
E eu preciso enfrentar o meu medo de mim.
Evitar olhar não está fazendo de mim uma pessoa melhor.
E eu preciso enfrentar o meu medo de mim.
tudo novo sempre
Na falta de compreensão sobre a vida, damos exagerados poderes à ciência.
Não existe padrão repetitivo na natureza.
Nada justifica essa busca.
Crer na ciência nos faz preguiçosos.
Porque queremos respostas fáceis.
Não existe padrão repetitivo na natureza.
Nada justifica essa busca.
Crer na ciência nos faz preguiçosos.
Porque queremos respostas fáceis.
Todo o dia o ar que eu respiro tem uma história nova.
roling stones
Campos Gravitacionais
Os campos gravitacionais mantém o equilíbrio das distâncias entre os corpos regulando a atração e a repulsa. Quando dois corpos se aproximam, dependendo da força do campo gravitacional de cada um, eles: se atraem e se chocam; se repelem e se distanciam; se regulam e mantém uma distância segura. No caso da terceira hipótese, para que haja essa regulação, a influência de um sobre o outro vai deixar inúmeras sequelas em ambos os corpos: maremotos; terremotos; tempestades; secas. Todas essas alterações que impedem que uma vida seja levada da mesma forma que vinha sendo anteriormente. Ninguém, na verdade, pode prever o que vai acontecer quando dois mundos se aproximam. Se um pode destruir o outro, quem é que vai juntar os cacos?"podemos, dessa forma, considerar a gravidade, não como sendo uma das quatro forças básicas ou fundamentais da natureza, mas sim, uma diferença relativa das interações conhecidas."
terça-feira, 26 de setembro de 2006
segunda-feira, 25 de setembro de 2006
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
certas palavras
a palavra foi feita para ser escrita
em certos assuntos
a palavra confunde mais do que explica
aos sentidos o que é de direito
usufruir dos momentos
em certos assuntos
a palavra confunde mais do que explica
aos sentidos o que é de direito
usufruir dos momentos
em silêncio
livres interpretações
"Te amo não por quem tu és, se não por quem sou quando estou contigo." - Gabriel García Marquez
Me odeio não por quem eu sou, se não por quem não sou quando estou contigo.
"Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo." - Gabriel García Marquez
Não passes o tempo com alguém a quem não esteja disposto a dedicá-lo.
Me odeio não por quem eu sou, se não por quem não sou quando estou contigo.
"Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo." - Gabriel García Marquez
Não passes o tempo com alguém a quem não esteja disposto a dedicá-lo.
Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
Clarice Lispector"
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
Clarice Lispector"
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
ferida aberta
rolei na cama que nem um espeto de churrasco
são 3:30
a noite é longa e a luz só daqui a algumas horas
tempo demais pra escrever...
Casca de Ferida
minha pele toda está finíssima
o que está dentro, quase sai pra fora
e o que está fora, quando me toca, queima,
arde que nem fazer tatuagem
que nem ralepar e molhar em cima
a pele toda
acabei de nascer
Quando a gente ralepa, o bom é cair no mar.
Arde pracaralho tudo de uma só vez.
Talvez o sal ajude na cicatrização ou mantenha a ferida limpa.
E rapidinho a gente se acostuma com a água.
Logo vai nascer uma casca.
Daí, pode até enconstar.
Mas quando casca, coça muito.
E podendo tocar, a vontade de tirar a casca é muito grande.
Se pudermos controlar a necessidade de coçar, a ferida vai cicatrizar sem deixar marcas.
Se coçar... vai cicatrizar também. Vai demorar. Vai deixar marca.
Mas ô coceirinha gostosa...
são 3:30
a noite é longa e a luz só daqui a algumas horas
tempo demais pra escrever...
Casca de Ferida
minha pele toda está finíssima
o que está dentro, quase sai pra fora
e o que está fora, quando me toca, queima,
arde que nem fazer tatuagem
que nem ralepar e molhar em cima
a pele toda
acabei de nascer
Quando a gente ralepa, o bom é cair no mar.
Arde pracaralho tudo de uma só vez.
Talvez o sal ajude na cicatrização ou mantenha a ferida limpa.
E rapidinho a gente se acostuma com a água.
Logo vai nascer uma casca.
Daí, pode até enconstar.
Mas quando casca, coça muito.
E podendo tocar, a vontade de tirar a casca é muito grande.
Se pudermos controlar a necessidade de coçar, a ferida vai cicatrizar sem deixar marcas.
Se coçar... vai cicatrizar também. Vai demorar. Vai deixar marca.
Mas ô coceirinha gostosa...
Calma!
calma, Caraíva/BA, agora estou tranquila
passei muitos anos sem me buscar,
perdida
envolvida com problemas familiares
fiquei com pressa,
quando dei por mim do atraso
ansiosa
fiquei cheia de dúvidas existenciais
sou uma criança, comecei a querer ser feliz
só agora entendo o que é experimentar ser eu mesma
não tenho pressa de encontrar outra pessoa
nem me achei ainda!
"Converte-te em uma melhor pessoa e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba." Gabriel García Marquez
um copo de coragem
Falta de coragem é um estado de constante insatisfação consigo, sabendo o que deveria ser feito pra mudar esse quadro.
Em caso de presença de coragem, o resultado é impossível de prever. Daí um impasse.
Manter ou não manter a ilusão de que se tem alguma espécie de controle sobre a própria vida?
NOTA: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17830482
Em caso de presença de coragem, o resultado é impossível de prever. Daí um impasse.
Manter ou não manter a ilusão de que se tem alguma espécie de controle sobre a própria vida?
NOTA: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17830482
eu em crise
Preciso extrair você de dentro de mim
Das minhas entranhas
Insistente
O dia inteiro
Eu fico de cabeça erguida
Extraio do melhor o que posso
A noite eu me rendo
Cansaço
Das minhas entranhas
Insistente
O dia inteiro
Eu fico de cabeça erguida
Extraio do melhor o que posso
A noite eu me rendo
Cansaço
quando
não quero disfarçar o que eu sinto
em nobres sentimentos
Nasci hoje
Agora vivo
com os olhos sinto a pele
sinto o cheiro com a boca e a língua
preciso ouvir o que eu sinto na carne
em nobres sentimentos
Nasci hoje
Agora vivo
com os olhos sinto a pele
sinto o cheiro com a boca e a língua
preciso ouvir o que eu sinto na carne
Circunstanciróscopo
"Pode parecer que são as circunstâncias, as instâncias e as pressões externas que estão lhe obrigando a reorientar seus rumos, mas talvez você não esteja percebendo que é a pressão interna que está aumentando. Tudo borbulha, querendo abrir a tampa e libertar o que há muito vem cozinhando em seu caldeirão. A fase do fogo brando já passou."
me faça sentido
Você, não me olhe.
Porque quando você me olha nos olhos
Puxa o que está dentro de mim pra fora
Que eu fico sem cor
Tenho medo de perder a alma.
Você, não me toque.
Porque quando você me toca a pele
Me sobe um arrepio pela espinha
Que eu fico com calor
Tenho medo de perder a calma.
E por favor, você, não me fale.
Porque quando você me fala aos ouvidos
Me faz vibrar as entranhas
Que eu sinto o seu hálito
Meus nervos ficam a flor da pele
Se você insistir vai ser impossível conter minha necessidade
De te olhar, te tocar, sentir teu cheiro, teu hálito
E dizer que eu te quero
Me beija na boca que eu quero conhecer o teu gosto
Leva a minha alma e me dê o seu calor
Preencha todo o resto com o teu cheiro e
Me mostra vida.
Porque quando você me olha nos olhos
Puxa o que está dentro de mim pra fora
Que eu fico sem cor
Tenho medo de perder a alma.
Você, não me toque.
Porque quando você me toca a pele
Me sobe um arrepio pela espinha
Que eu fico com calor
Tenho medo de perder a calma.
E por favor, você, não me fale.
Porque quando você me fala aos ouvidos
Me faz vibrar as entranhas
Que eu sinto o seu hálito
Meus nervos ficam a flor da pele
Se você insistir vai ser impossível conter minha necessidade
De te olhar, te tocar, sentir teu cheiro, teu hálito
E dizer que eu te quero
Me beija na boca que eu quero conhecer o teu gosto
Leva a minha alma e me dê o seu calor
Preencha todo o resto com o teu cheiro e
Me mostra vida.
narciso
Olhei no espelho.
Vi olhos sem brilho.
Dentro de um círculo de cor
indefinida entre marrom e limo.
E uma névoa
que encobria uma visão mais clara das coisas.
"Tolos são os inautênticos. Permanecem estáticos diante de si." - Ariele Correa
Vi olhos sem brilho.
Dentro de um círculo de cor
indefinida entre marrom e limo.
E uma névoa
que encobria uma visão mais clara das coisas.
"Tolos são os inautênticos. Permanecem estáticos diante de si." - Ariele Correa
espelho
Não sustento o olhar de ninguém que não esteja querendo me causar o mal.
A quem me quer o mal devolvo um olhar firme. Eu reflito.
A quem me quer o bem eu não sei...
Não suporto sentir o medo nos olhos de quem poderia amar.
A quem me quer o mal devolvo um olhar firme. Eu reflito.
A quem me quer o bem eu não sei...
Não suporto sentir o medo nos olhos de quem poderia amar.
Vem logo.
Você sempre sabe onde tocar
quando enfia os dedos na minha buceta.
Primeiro eu sinto sua mão grossa e áspera
depois eu fico querendo você
se enfia todo dentro de mim.
O calor do teu corpo eu gosto de sentir entre as minhas coxas.
Você se batendo contra mim e eu te puxando pra você ir mais fundo.
Na minha boca a tua porra é a mais doce.
Na minha boca a tua porra parece saliva.
O teu pau é meu brinquedo.
Eu quero sempre me esfregar nele e te deixar louco.
Eu gosto de segurar nele e sentir teu gozo vindo...
Eu gosto que você rebole dentro de mim
Eu gosto de agarrar a sua bunda com as mãos
Eu gosto de lamber a sua orelha e morder seus ombros
Eu gosto que você seja homem. Não seja moleque.
Eu acho graça do jeito que você me chama de safada,
como se eu tivesse tentando esconder isso de você.
"O pecado é mais saudável e alegre do que a virtude. Aqueles que trocam o vício pela beatice tornam-se velhos feios e desagradáveis." Rubem Fonseca - O Doente Moliére
leis físicas
de que me serve
Você não sou eu.
Nós só somos iguais na diferença.
Eu não quero mais você em mim.
Eu nem me lembro mais de como era o prazer.
Eu me esqueci de sentir.
Nós só somos iguais na diferença.
Eu não quero mais você em mim.
Eu nem me lembro mais de como era o prazer.
Eu me esqueci de sentir.
Interwave
do tudo
queimem o circo
Bufões usados para distrair nossa atenção...
Querem de nós o nosso despreparo, desespero.
Que tudo vá pelos ares!
Algo novo irá surgir.
Querem de nós o nosso despreparo, desespero.
Que tudo vá pelos ares!
Algo novo irá surgir.
brote da pele
Não estou seca.
Sinto fluido.
Sinto viscoso.
Difícil.
Empurrando o por dentro pra fora.
Já o expulsei de meus músculos.
Em algum lugar entre a carne e a pele
Está muito acomodado
(às vezes eu quase não percebo).
Sei que está lá porque meus músculos estão tesos,
cuidando para que não volte,
não se aprofunde,
não se entranhe.
Vou tomar um banho...
Sinto fluido.
Sinto viscoso.
Difícil.
Empurrando o por dentro pra fora.
Já o expulsei de meus músculos.
Em algum lugar entre a carne e a pele
Está muito acomodado
(às vezes eu quase não percebo).
Sei que está lá porque meus músculos estão tesos,
cuidando para que não volte,
não se aprofunde,
não se entranhe.
Vou tomar um banho...
Basta
Fechar a porta
Virar a cara
Viver no alto
Selecionar
Evitar
Se diferenciar
Conhecer a família
Transar de camisinha
Ter os dentes
Cuidar da saúde
Comer bem
Ser legal
Engraçada
Ser amada
Mas o amor que se recebe
não é o mesmo que se dá.
Sou impermeável.
Virar a cara
Viver no alto
Selecionar
Evitar
Se diferenciar
Conhecer a família
Transar de camisinha
Ter os dentes
Cuidar da saúde
Comer bem
Ser legal
Engraçada
Ser amada
Mas o amor que se recebe
não é o mesmo que se dá.
Sou impermeável.
A GAZETA, Vitória (ES), segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Ex-modelo e três filhos mantidos presos na Ilha do Boi.
A mulher era mantida em cárcere privado pelo marido.
F. A. M. se casou com Antúlio Gomes Pinto aos 20 anos...
No auge da carreira de modelo. Muito trabalho, muitas festas, bebida, droga e sexo também. No auge e cheia de sonhos conheceu Antúlio, um jovem empresário de 30 anos que passou a encontrar em todas as festas. E ele demonstrava com muita segurança suas intenções e era um homem bonito. E era muito bem relacionado. Conhecia o high society capixaba.
Ela mesma era uma mulher bem nascida. Mas a sua família estava enfrentando problemas financeiros por causa de problemas políticos. E seu pai largou sua mãe e fugiu com a secretária para uma cobertura na Praia da Costa, deixando ela e a mãe, que nunca trabalharam, sozinhas, num quatro quartos na Praia do Canto.
Graças aos relacionamentos da mãe conseguiram evitar que a história da fuga desce nos jornais. Na verdade a separação salvou-as da devassa que o pai está sofrendo agora. Mas havia algum tempo que pagavam o dinheiro do condomínio graças à boa vontade do síndico.
A mulher era mantida em cárcere privado pelo marido.
F. A. M. se casou com Antúlio Gomes Pinto aos 20 anos...
No auge da carreira de modelo. Muito trabalho, muitas festas, bebida, droga e sexo também. No auge e cheia de sonhos conheceu Antúlio, um jovem empresário de 30 anos que passou a encontrar em todas as festas. E ele demonstrava com muita segurança suas intenções e era um homem bonito. E era muito bem relacionado. Conhecia o high society capixaba.
Ela mesma era uma mulher bem nascida. Mas a sua família estava enfrentando problemas financeiros por causa de problemas políticos. E seu pai largou sua mãe e fugiu com a secretária para uma cobertura na Praia da Costa, deixando ela e a mãe, que nunca trabalharam, sozinhas, num quatro quartos na Praia do Canto.
Graças aos relacionamentos da mãe conseguiram evitar que a história da fuga desce nos jornais. Na verdade a separação salvou-as da devassa que o pai está sofrendo agora. Mas havia algum tempo que pagavam o dinheiro do condomínio graças à boa vontade do síndico.
como um bebê
Logo que nascemos: o esplendor da raça humana.
O milagre da natureza
na forma mais pura.
O ápice da nossa superioridade.
Espanto do desenvolvimento.
Já trazemos a nossa personalidade mais marcante, a que nos define.
Estamos absorvendo tudo a nossa volta.
Somos a compreensão em toda a sua compaixão.
Então aprendemos a falar
e nos corrompemos.
À medida que formos desenvolvendo a lógica, vamos nos tornando mais burros.
Nos separamos por partes.
Decidimos a parte que decide
a parte que comanda o espetáculo.
Viramos marionetes da nossa própria cultura.
Portanto, quanto antes souber viver como bebê, melhor.
Não pra ficar jovem para sempre.
Mas para sentir sem preconceitos o que for novo.
"Sim, eu também me tornei um monstro e meu único desejo na vida é voltar a ser macaco." Rubem Fonseca - Romance Negro e Outras Histórias
O milagre da natureza
na forma mais pura.
O ápice da nossa superioridade.
Espanto do desenvolvimento.
Já trazemos a nossa personalidade mais marcante, a que nos define.
Estamos absorvendo tudo a nossa volta.
Somos a compreensão em toda a sua compaixão.
Então aprendemos a falar
e nos corrompemos.
À medida que formos desenvolvendo a lógica, vamos nos tornando mais burros.
Nos separamos por partes.
Decidimos a parte que decide
a parte que comanda o espetáculo.
Viramos marionetes da nossa própria cultura.
Portanto, quanto antes souber viver como bebê, melhor.
Não pra ficar jovem para sempre.
Mas para sentir sem preconceitos o que for novo.
"Sim, eu também me tornei um monstro e meu único desejo na vida é voltar a ser macaco." Rubem Fonseca - Romance Negro e Outras Histórias
louca e linda
Me jogando de propósito em barcas furadas.
Só pra sentir a emoção do pulo e a ânsia do caldo.
As minhas tensões estão se aprimorando.
Há algo em nós que unifica os muitos dentro de nós.
Que faz o coração bater, o sangue correr, a respiração preencher a vida.
Estou conversando com meu corpo.
Também falo com meu cachorro.
E quando conversar com as plantas, elas vão ganhar viço.
Isso qualquer vovó pode confirmar.
Sabedoria popular.
Somos todos seres muito sociáveis.
Só pra sentir a emoção do pulo e a ânsia do caldo.
As minhas tensões estão se aprimorando.
Há algo em nós que unifica os muitos dentro de nós.
Que faz o coração bater, o sangue correr, a respiração preencher a vida.
Estou conversando com meu corpo.
Também falo com meu cachorro.E quando conversar com as plantas, elas vão ganhar viço.
Isso qualquer vovó pode confirmar.
Sabedoria popular.
Somos todos seres muito sociáveis.
cegueira
O que será isso que me assombra?
Isso que eu vi.
Uma coisa que eu sentia que somente eu havia visto.
Mas de que adiantava eu ver se não estava lá.
Ele, que era ele mesmo, não via.
Se ele afirmava que não havia, porque eu haveria de duvidar?
Eu insistia.
Esperava que isso fosse aflorar.
Só que eu também tenho pressa.
Eu quero algo pronto, difícil de achar.
A metade da minha vida fácil não me satisfaz.
A metade difícil... metafísica demais.
E eu sou assombrada, construída, sei lá.
Estou num ponto.
Eu sou um ponto.
Eu só tenho uma certeza.
A urgência da morte faz a necessidade do amor.
E sua busca dá prazer.
Eu só quero saber do que pode dar certo.
Isso que eu vi.
Uma coisa que eu sentia que somente eu havia visto.
Mas de que adiantava eu ver se não estava lá.
Ele, que era ele mesmo, não via.
Se ele afirmava que não havia, porque eu haveria de duvidar?
Eu insistia.
Esperava que isso fosse aflorar.
Só que eu também tenho pressa.
Eu quero algo pronto, difícil de achar.
A metade da minha vida fácil não me satisfaz.
A metade difícil... metafísica demais.
E eu sou assombrada, construída, sei lá.
Estou num ponto.
Eu sou um ponto.
Eu só tenho uma certeza.
A urgência da morte faz a necessidade do amor.
E sua busca dá prazer.
Eu só quero saber do que pode dar certo.
medíocre
Um dia meu professor na faculdade disse que existiam dois tipos de escritores:
Os que morrem cedo porque vivem intensamente.
Esses escrevem sobre o que vivem.
E os que morrem velinhos porque vivem muito mansamente.
Esses escrevem sobre o que imaginam.
Será que eu serei escritora?
Não sou afeita aos extremos.
Serei medíocre.
Viverei a imaginação.
Os que morrem cedo porque vivem intensamente.
Esses escrevem sobre o que vivem.
E os que morrem velinhos porque vivem muito mansamente.
Esses escrevem sobre o que imaginam.
Será que eu serei escritora?
Não sou afeita aos extremos.
Serei medíocre.
Viverei a imaginação.
miséria em qualquer canto
Você não escolheu levar a vida que leva.
Mas eu também não escolhi essa vida.
Você pensa que eu sou melhor do que você? Ou eu? Por que?
Por causa do que eu visto? Da beleza? Dos dentes? Você me culpa pelo seu sofrimento? Eu me culpo pelo seu? Eu devo a você? Tenho que pagar? O que você sente? É vazio? Você é mais infeliz porque viu mais coisas terríveis? Você viu miséria?
Nós todos vemos a miséria.
A miséria tem muito a mostrar.
Ela está em todos os lugares.
O dinheiro não vai te ajudar a fugir dela.
Mas eu também não escolhi essa vida.
Você pensa que eu sou melhor do que você? Ou eu? Por que?
Por causa do que eu visto? Da beleza? Dos dentes? Você me culpa pelo seu sofrimento? Eu me culpo pelo seu? Eu devo a você? Tenho que pagar? O que você sente? É vazio? Você é mais infeliz porque viu mais coisas terríveis? Você viu miséria?
Nós todos vemos a miséria.
A miséria tem muito a mostrar.
Ela está em todos os lugares.
O dinheiro não vai te ajudar a fugir dela.
a mentira
A verdade nos salvará.
A verdade é uma pílula vendida por médicos.
A verdade é uma bala vendida por traficantes.
A verdade é uma palavra vendida por religiosos.
A verdade é uma necessidade que todo mundo inventa.
É possível falar um monte de mentira dizendo só a verdade.
A educação permitirá a escolha.
A vida é uma biblioteca.
Não vai dar tempo de ler tudo.
Salvação é pra quem não tem responsabilidade com a própria existência.
A verdade é uma pílula vendida por médicos.
A verdade é uma bala vendida por traficantes.
A verdade é uma palavra vendida por religiosos.
A verdade é uma necessidade que todo mundo inventa.
É possível falar um monte de mentira dizendo só a verdade.
A educação permitirá a escolha.
A vida é uma biblioteca.
Não vai dar tempo de ler tudo.
Salvação é pra quem não tem responsabilidade com a própria existência.
Do 8 e do 80
Menos que 8 é pouco.
Mais que 80 é muito.
80 é a base.
De 80 vc tira 8 que prestam.
Esses 8 vão alimentar sonhos em 80.
Que vão gerar outros 8, que vão influenciar outros 80.
E entre 8 e 80 ficam os mediocres.
Esqueçam o caminho do meio.
Já mataram Deus, vamos matar Buda.
Vamos ser 8 e 80.
Mais que 80 é muito.
80 é a base.
De 80 vc tira 8 que prestam.
Esses 8 vão alimentar sonhos em 80.
Que vão gerar outros 8, que vão influenciar outros 80.
E entre 8 e 80 ficam os mediocres.
Esqueçam o caminho do meio.
Já mataram Deus, vamos matar Buda.
Vamos ser 8 e 80.
golpe da barriga
Ele me conheceu na Swinger's.
Bêbada. Mas linda, maquiada, bem vestida, gostosa e feliz. Me divertindo, enfim...
Ele se apaixonou.
Eu me apaixonei.
Aos meus olhos, um homem vivido que gostava de se divertir era perfeito.
O sexo era bom e nós nos divertíamos, por isso paramos com a camisinha.
Nos amávamos, quisemos engravidar.
Nos divertimos muito antes de decidir morar juntos e construir algo mais sólido entre nós.
Pra mim, apesar de ser divertido como era, já estava na hora de procurar crescer...
Então fomos 'morar junto'.
Primeiro ele me convenceu que eu não precisava trabalhar tanto, afinal, isso era muito chato e nós poderíamos dividir as tarefas: ele ia pro trabalho na rua e eu ficaria com o trabalho de casa.
E afinal, eu era uma mulher grávida. Não era bom para o bebê ficar batendo perna por aí...
Ele achou também que eu não precisava malhar tanto, afinal, pra que continuar gostosa? Eu já estava "garantida", não precisava daquela bunda dura rebolando por aí. Não era bom para o bebê ficar batendo perna por aí...
Enfim, essas frases que os homens dizem quando se preocupam com a gente:
- Não precisa se maquiar toda vez que a gente sai.
- Você não tá sentindo frio com essa roupa?
- Já chega, né amor. Já bebeu muito.
A tudo eu aceitei. Por que eu acreditava que amor era ter alguém que cuidasse da gente. E de quem a gente cuidasse de volta.
Perceber a barca furada na qual eu havia me metido foi simples:
Ele abria a porta e tirava o sapato. O sapato ficava na frente porta da entrada.
Ia até a cozinha e pegava um copo de água. O copo ficava na mesa de centro na sala.
Tomava um banho. A toalha ficava em cima da cama. Em cima do meu lado da cama.
Comia e largava o prato sujo.
No começo eu arrumava. Não aquento casa suja. Mas era impossível... Eu não dava conta da demanda... Então decidi simplesmente largar o que ele sujasse no mesmo lugar. Sem stress ou cobranças, eu pensei. Se a sujeira incomodar ele não vai mais fazê-la. A sujeira incomodou a ele. E ele cobrou que eu deveria limpá-la. Afinal eu não fazia nada, só ficava em casa...
Quem dá o golpe da barriga é o homem.
Com o golpe da barriga a mulher fica quietinha em casa aceitando esse tipo de situação na ilusão de que logo, logo isso passa. Mas essa situação dura uns bons 15 anos. 15 anos sem malhar, sem usar maquiagem, sem ir a boate, sem usar roupas curtas, esquentando a barriga no fogão e esfriando no tanque. 15 anos até que ele pegue uma mulher mais nova, malhadinha, bonitinha e feliz.
Bêbada. Mas linda, maquiada, bem vestida, gostosa e feliz. Me divertindo, enfim...
Ele se apaixonou.
Eu me apaixonei.
Aos meus olhos, um homem vivido que gostava de se divertir era perfeito.
O sexo era bom e nós nos divertíamos, por isso paramos com a camisinha.
Nos amávamos, quisemos engravidar.
Nos divertimos muito antes de decidir morar juntos e construir algo mais sólido entre nós.
Pra mim, apesar de ser divertido como era, já estava na hora de procurar crescer...
Então fomos 'morar junto'.
Primeiro ele me convenceu que eu não precisava trabalhar tanto, afinal, isso era muito chato e nós poderíamos dividir as tarefas: ele ia pro trabalho na rua e eu ficaria com o trabalho de casa.
E afinal, eu era uma mulher grávida. Não era bom para o bebê ficar batendo perna por aí...
Ele achou também que eu não precisava malhar tanto, afinal, pra que continuar gostosa? Eu já estava "garantida", não precisava daquela bunda dura rebolando por aí. Não era bom para o bebê ficar batendo perna por aí...
Enfim, essas frases que os homens dizem quando se preocupam com a gente:
- Não precisa se maquiar toda vez que a gente sai.
- Você não tá sentindo frio com essa roupa?
- Já chega, né amor. Já bebeu muito.
A tudo eu aceitei. Por que eu acreditava que amor era ter alguém que cuidasse da gente. E de quem a gente cuidasse de volta.
Perceber a barca furada na qual eu havia me metido foi simples:
Ele abria a porta e tirava o sapato. O sapato ficava na frente porta da entrada.
Ia até a cozinha e pegava um copo de água. O copo ficava na mesa de centro na sala.
Tomava um banho. A toalha ficava em cima da cama. Em cima do meu lado da cama.
Comia e largava o prato sujo.
No começo eu arrumava. Não aquento casa suja. Mas era impossível... Eu não dava conta da demanda... Então decidi simplesmente largar o que ele sujasse no mesmo lugar. Sem stress ou cobranças, eu pensei. Se a sujeira incomodar ele não vai mais fazê-la. A sujeira incomodou a ele. E ele cobrou que eu deveria limpá-la. Afinal eu não fazia nada, só ficava em casa...
Quem dá o golpe da barriga é o homem.
Com o golpe da barriga a mulher fica quietinha em casa aceitando esse tipo de situação na ilusão de que logo, logo isso passa. Mas essa situação dura uns bons 15 anos. 15 anos sem malhar, sem usar maquiagem, sem ir a boate, sem usar roupas curtas, esquentando a barriga no fogão e esfriando no tanque. 15 anos até que ele pegue uma mulher mais nova, malhadinha, bonitinha e feliz.
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
os sentidos libertam dos sonhos
ouço um martelo no apartamento vizinho
vejo um aranha entre as latas
sinto uma formiga me subir pela perna
um adocicada acidez remanescente do café
vejo um aranha entre as latas
sinto uma formiga me subir pela perna
um adocicada acidez remanescente do café
C
dói conter os sentimentos
dói por onde eles tentam se expressar
dói na face conter o rubor
sentir me dá medo
é preciso contrair o rosto
reprimindo o sentimento
expressando dor
uma luta
que me deixa vulnerável
com tanta gente em volta
alguém se aproxima
dói por onde eles tentam se expressar
dói na face conter o rubor
sentir me dá medo
é preciso contrair o rosto
reprimindo o sentimento
expressando dor
uma luta
que me deixa vulnerável
com tanta gente em volta
alguém se aproxima
muda
tem que ser uma viagem
aqui dentro tem tanta gente
diferente de tantos lugares
muda
em silêncio
faz a caminhada
feita pra ser sozinha
quem diz o que te aguarda no percurso
quem diz o teu caminho
te cala
os amigos são poucos
na verdade
esse é o momento de conhecê-los
aos que ficam
aos que levo comigo
aqui dentro tem tanta gente
diferente de tantos lugares
muda
em silêncio
faz a caminhada
feita pra ser sozinha
quem diz o que te aguarda no percurso
quem diz o teu caminho
te cala
os amigos são poucos
na verdade
esse é o momento de conhecê-los
aos que ficam
aos que levo comigo
divagar sempre
medo são pensamentos
que se infiltram nos sonhos
irrompem bruscamente
infiltrando imagens
preste atenção ao impacto que a visão desse pensamento provoca no corpo
resulta num despertar
susto
perda de noção de tempo
deslocamento
estranhamento
surpresa
então passa e os músculos descontraem
volto a divagar em casa
que se infiltram nos sonhos
irrompem bruscamente
infiltrando imagens
preste atenção ao impacto que a visão desse pensamento provoca no corpo
resulta num despertar
susto
perda de noção de tempo
deslocamento
estranhamento
surpresa
então passa e os músculos descontraem
volto a divagar em casa
só
dor a gente carrega só
existe e ninguém vai saber
não é possível de ser compartilhada
não por quem sente tanto nada
existe e ninguém vai saber
não é possível de ser compartilhada
não por quem sente tanto nada
ai... ai
vida vida vida
faça algum sentido lógico
ou então não faça
seja apenas assim esse caos
então me desperte os sentidos físicos
faça algum sentido lógico
ou então não faça
seja apenas assim esse caos
então me desperte os sentidos físicos
vai saber
o que não tem remédio, remediado está
mas, como é que fica
assim... assim...
assim não é possível
assim esse alguma coisa que tem, mas não tem
está, mas não está
existe, mas não existe
eu não sei se sou contraditória ou incompleta
assim eu não vou chegar a lugar nenhum
mas, como é que fica
assim... assim...
assim não é possível
assim esse alguma coisa que tem, mas não tem
está, mas não está
existe, mas não existe
eu não sei se sou contraditória ou incompleta
assim eu não vou chegar a lugar nenhum
sábado, 9 de setembro de 2006
antes da carta
que fique o registro por escrito
no próprio punho
à lápis, sem borracha
para que os erros fiquem aparentes
para que os vacilos fiquem evidentes
eu até deixo clara uma pausa prolongada
mas que fique claro que eu não estou a fim da atenção que me dispensas.
"os erros, como a palha, bóiam na superfície; aquele que procura pérolas deve mergulhar fundo." Rubem Fonseca - in: Relatório de Carlos
no próprio punho
à lápis, sem borracha
para que os erros fiquem aparentes
para que os vacilos fiquem evidentes
eu até deixo clara uma pausa prolongada
mas que fique claro que eu não estou a fim da atenção que me dispensas.
"os erros, como a palha, bóiam na superfície; aquele que procura pérolas deve mergulhar fundo." Rubem Fonseca - in: Relatório de Carlos
terça-feira, 29 de agosto de 2006
Esperei...
Tentei todas as artimanhas para me enganar
Esgotei todos os argumento para me dissuadir
Na esperança de que o tempo desse seu jeito
Adio.. o quê, eu não sei
Me impondo o sacrifício de te evitar
Porque a tudo a gente se acostuma
Daí, no fim eu sinto um vazio piegas
Eu tô oca.
[os jovens] uns fogem do amor e outros o procuram com sofreguidão, mas no fim o que fica em todos, é a mesma coisa, uma insuportável sensação de vazio. (...) Saudemos o vazio de todos nós. Rubem Fonseca - "Gazeta", in: Os Prisioneiros
Esgotei todos os argumento para me dissuadir
Na esperança de que o tempo desse seu jeito
Adio.. o quê, eu não sei
Me impondo o sacrifício de te evitar
Porque a tudo a gente se acostuma
Daí, no fim eu sinto um vazio piegas
Eu tô oca.
[os jovens] uns fogem do amor e outros o procuram com sofreguidão, mas no fim o que fica em todos, é a mesma coisa, uma insuportável sensação de vazio. (...) Saudemos o vazio de todos nós. Rubem Fonseca - "Gazeta", in: Os Prisioneiros
diálogo OQH578
Parado na frente dela, ele observa seu rosto contorcido num delírio mudo, de riso e choro contidos.
Enquanto ele limpa o balcão para servir-lhe, ela esfrega o rosto tentando se recompor.
"Você está apaixonada por um rapaz que não lhe corresponde?"
Ela sorri, um sorriso curto. Deixa a cabeça tombar até se aconchegar na tábua polida do balcão.
"Eu quero bebida. Uma que me dê amnésia. Eu quero acordar e esquecer. Você se importa? Você teria esse cuidado comigo? Mas devo avisar que talvez eu não reconheça o valor do seu favor, se você cuidar de mim essa noite. Quando chegar amanhã, eu não sei."
Enquanto ele limpa o balcão para servir-lhe, ela esfrega o rosto tentando se recompor.
"Você está apaixonada por um rapaz que não lhe corresponde?"
Ela sorri, um sorriso curto. Deixa a cabeça tombar até se aconchegar na tábua polida do balcão.
"Eu quero bebida. Uma que me dê amnésia. Eu quero acordar e esquecer. Você se importa? Você teria esse cuidado comigo? Mas devo avisar que talvez eu não reconheça o valor do seu favor, se você cuidar de mim essa noite. Quando chegar amanhã, eu não sei."
diálogo LH48Q1
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
apenas ser
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